Miércoles, 27 de Septiembre de 2023

Saída de ceo e suspensão de pacotes agravam crise no hurb

BrasilO Globo, Brasil 7 de junio de 2023

A renúncia do CEO Otávio Brissant, na segunda-feira, ampliou as incertezas em torno do Hurb. João ...

A renúncia do CEO Otávio Brissant, na segunda-feira, ampliou as incertezas em torno do Hurb. João Ricardo Mendes, o fundador, que voltará ao comando da plataforma, terá de equilibrar as finanças em meio à perda de parceiros comerciais e à determinação do governo federal de suspender a venda dos chamados pacotes flexíveis, a principal fonte de receita do Hurb " que já enfrenta dificuldades para pagar os salários dos funcionários.
Os empregados da agência de viagens on-line foram surpreendidos, no início da noite de ontem, com comunicado interno informando que o pagamento, previsto para ontem, seria atrasado em três dias e dividido em duas parcelas, revelou a coluna Capital.
No comunicado, ao qual a coluna teve acesso, a empresa atribui o atraso ao "cenário atual do Hurb".
Enviado a ex-funcionários, o e-mail desencadeou uma enxurrada de críticas. Um dos destinatários afirmou que a situação "reflete uma insegurança de muito tempo: incertezas de pagamentos."
Os problemas do Hurb têm se acumulado. Na semana passada, a Latam suspendeu a emissão de novas passagens para a agência, além de ir à Justiça cobrar uma dívida de R$ 13,6 milhões. E a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) proibiu o Hurb de vender pacotes flexíveis, aqueles em que o consumidor compra sem ter uma data definida para a viagem.
Cresce o risco de a empresa não honrar seus contratos, porque terá mais dificuldade de alocar clientes em voos, e a perda de receita dificultará a compra de serviços para os pacotes já vendidos.
Samuel Barros, doutor em Administração e reitor do Ibmec-Rio, lembra que a Latam era um importante parceiro comercial do Hurb. A agência, agora, precisa que outras aéreas garantam os voos dos clientes que já fecharam pacotes. O problema é que essas empresas podem seguir a decisão da Latam.
Até o momento, a Azul não suspendeu as vendas. Procurada, a empresa não se manifestou sobre o assunto. A Gol não retornou o contato feito pelo GLOBO. E a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) disse que não comentaria o assunto, por se tratar de uma questão comercial e operacional de cada empresa.
fluxo de caixa afetado
O setor hoteleiro foi o primeiro a rejeitar as reservas do Hurb e tem mantido sua posição, especialmente hotéis e pousadas de pequeno porte.
" Ela não cumpriu com o acordado com os hotéis, principalmente os menores. A crise no Hurb é muito ruim para o setor. Orientamos os hotéis a oferecerem aos consumidores lesados o mesmo preço cobrado pela plataforma " diz Alfredo Lopes, presidente da HotéisRio.
Ricardo Macedo, economista e professor da Facha, afirma que o fato de o Hurb ter demitido 40% de sua equipe mostra que está tentando cortar custos para honrar seus compromissos com consumidores e parceiros.
Mas, para a conta fechar, especialistas avaliam que o preço dos pacotes pode subir.
" O Hurb não consegue cumprir com o que prometeu no passado. A proibição de venda de pacotes flexíveis encarece ainda mais a operação, porque a empresa não consegue encontrar os melhores preços nas melhores datas " explica Barros.
Roberto Kanter, economista e professor de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), discorda. Para ele, o Hurb deve baratear os pacotes para tentar fazer caixa, deixando o ônus de honrar os contratos para depois.
Daniel Dias, professor de Direito do Consumidor da FGV Direito/Rio, aponta outro possível efeito negativo da determinação da Senacon:
" Não deveria impactar quem já fechou pacotes. Mas, como a medida afeta o fluxo de caixa da companhia, o Hurb pode alegar que foi surpreendido com a decisão e dizer que não pode honrar os seus contratos.
Dias ressalta, porém, que a decisão da Senacon levou em conta justamente a incapacidade da empresa em garantir esses pacotes, em que se paga antes de marcar a viagem. A Senacon avaliou que o plano de reestruturação apresentado pelo Hurb não comprova a capacidade financeira de cumprir nem novos contratos, nem os pacotes já vendidos.
" Para a empresa se isentar de cumprir seus compromissos com os consumidores, ela precisa comprovar que não contribuiu para esse fato. Mas o próprio fundamento da decisão da Senacon é que a empresa não demonstrou capacidade financeira " explica Dias.
poucas garantias
Ricardo Morishita, professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), compara o modelo de negócios do Hurb a uma loteria: a agência vendia inúmeros pacotes flexíveis contando que, mais tarde, os fornecedores teriam tarifas promocionais disponíveis.
Para especialistas, esse modelo não oferece garantias suficientes. Muitas vezes, o consumidor sequer sabe que empresas prestarão os serviços de voo e hotelaria. Sem essa informação, não há como responsabilizar hotéis ou aéreas caso o Hurb não cumpra o contrato.
Como a decisão da Senacon não é retroativa, quem já comprou não terá seu pacote suspenso. E se o consumidor receia não conseguir viajar e pensa em parar de pagar, Dias alerta:
" Você pode se antecipar ao ver que a empresa não vai honrar com a prestação do serviço, mas você tem o ônus de comprovar isso. Ou seja, a pessoa precisa comprovar que ainda não houve emissão de voucher, por exemplo, ou que tantos pacotes não foram honrados em período recente.
O Hurb ressaltou que continua oferecendo pacotes de data garantida, que têm datas de ida e volta preestabelecidas, além de hospedagens, passeios e serviços acessórios.
Com relação ao atraso no pagamento dos funcionários, o Hurb não quis comentar.
La Nación Argentina O Globo Brasil El Mercurio Chile
El Tiempo Colombia La Nación Costa Rica La Prensa Gráfica El Salvador
El Universal México El Comercio Perú El Nuevo Dia Puerto Rico
Listin Diario República
Dominicana
El País Uruguay El Nacional Venezuela