Uva abre curso de medicina na zona sul do rio de janeiro
A Universidade Veiga de Almeida (UVA) está abrindo seu curso de Medicina esta semana, após receber ...
A Universidade Veiga de Almeida (UVA) está abrindo seu curso de Medicina esta semana, após receber autorização do Ministério da Educação (MEC) na segunda-feira. Aposta na vantagem de ser a única opção na Zona Sul do Rio, tendo investido mais de R$ 30 milhões em um campus em Botafogo.
É crescente o número de instituições interessadas em oferecer graduação em Medicina, o que inclui instituições de referência no setor de hospitais. No Rio, a Rede D’Or, que já tem formações na área de saúde, trabalha para implementar o curso no Glória D’Or.
Em São Paulo, o Sírio-Libanês também está abrindo sua faculdade na área de saúde. E vai solicitar autorização para cursos de Medicina e Biomedicina, com a abertura do novo edital do MEC no próximo semestre. A Beneficência Portuguesa está um passo atrás, tendo solicitado à pasta reconhecimento como instituição de ensino superior. Está mirando, mais adiante, na Medicina.
Durante cinco anos, não foi permitido abrir novos cursos de Medicina no Brasil. Nesse período, a demanda cresceu. E o interesse na graduação em Medicina como fonte de receita também.
" Nós conseguimos na Justiça a chance de apresentar nosso processo ao MEC. Depois, o processo correu normalmente. E tivemos o aval do ministério. Já temos um ecossistema de saúde com graduações, mestrados e doutorados. Buscamos referências internacionais. É uma vertente que, esperamos, venha cada vez mais colaborar em excelência para a UVA. Aliado a tudo isso, pode ser um vetor financeiro, considerando nossos investimentos crescentes " diz Beatriz Balena, reitora da UVA.
Curso ‘premium’
O curso de Medicina é atualmente considerado premium no ensino superior. O Brasil tem uma lacuna na oferta de médicos, explica Marcos Boscolo, sócio da consultoria KPMG, com um problema na distribuição desses médicos no país. Eles acabam concentrados nos grandes centros urbanos, para a formação e, depois, trabalhando. E são escassos em áreas mais afastadas.
" Há demanda do lado do mercado de educação. No ensino superior brasileiro, a taxa de evasão é de 56%. Em medicina, de 8%, além de ser um curso de tíquete médio alto e inadimplência baixa " pondera o especialista.
Na UVA, a mensalidade de Medicina será de R$ 14.500, ante uma média de R$ 1 mil nas demais graduações presenciais. Haverá desconto de 5% para o período de lançamento do curso. O valor, frisa Beatriz, está dentro da média praticada pelo mercado. As inscrições para o curso vão até o fim do mês, pela nota do Enem. Ela avalia que a localização na Zona Sul atrairá estudantes do Rio e de todo o país.
A universidade carioca criou instalações exclusivas para o curso no antigo prédio do Colégio Santo Amaro, em Botafogo. O aporte na unidade inclui salas para aulas práticas, laboratórios com equipamentos com tecnologias inovadoras, incluindo uma plataforma 3D para o estudo de anatomia e simulações realísticas.
O curso terá coordenação da professora Marise Marsillac, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, que já atuou como pediatra e gastroenterologista pediátrica nas redes municipal e federal de saúde.
Beatriz frisa que o foco está em uma Medicina humanizada, voltada para atenção primária à saúde, urgência e emergência, que são as grande demandas em atendimento no país.
Em extensão e estágio, a UVA terá seus estudantes atendendo em clínicas de família de Unidades Básicas de Saúde do Rio, além de hospitais do estado e do município, como o Heloneida Studart, em São João de Meriti, e o Getulio Vargas, na Penha, além de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), públicas e privadas. E vai ceder suas instalações em Botafogo para que estado e município façam requalificação de seus profissionais.
hospitais atentos
Essa ponte na qualificação prática dos estudantes é um dos pontos de conexão com os grupos hospitalares.
" Grandes hospitais sempre foram procurados pelas escolas de Medicina porque seus alunos têm de fazer extensão e estágio dentro da formação. Com isso, começaram a criar cursos de especialização na área médica, entendendo que ali havia uma fonte de receita e identificação de talentos para suas equipes. É natural que os hospitais com excelência clínica caminhem para ter a educação " pontua Boscolo, da KPMG.
A oferta de vagas de graduação em Medicina no país saltou de 31,5 mil em 2017 para 55,4 mil em 2021, segundo dados do MEC citados pela KPMG. A demanda segue aquecida. Em 2021, havia mais de 30 candidatos por vaga disponível. Do total de vagas ofertadas, quase 50 mil foram preenchidas.
O Sírio-Libanês obteve o sinal verde para lançar sua faculdade. Ela fica em um prédio de 11 andares ao lado da Avenida Paulista, também equipado com laboratórios e estrutura de ponta. As inscrições para o vestibular da instituição abrem na segunda quinzena de julho, com graduação presencial em Enfermagem, Fisioterapia e Psicologia.
O Sírio já oferece programas de pós-graduação, residência médica e multiprofissionais. E vai pedir autorização ao MEC para abrir também Medicina e Biomedicina com nova chamada atrelada ao Mais Médicos, prevista para agosto.
Na Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica Renato Vieira, diretor executivo de Desenvolvimento Médico, Técnico e Educação e Pesquisa, o objetivo é ingressar na área de educação com a oferta de cursos públicos. Na sequência, virão os de pós-graduação e, depois, graduações multiprofissionais em saúde. No longo prazo, a instituição planeja ter o curso de Medicina.
Ele estima que o projeto, como um todo, vai demandar R$ 60 milhões em investimentos.
" A meta é ter 12 mil alunos nos diversos cursos e uma receita de R$ 260 milhões ao longo dos próximos dez anos. Na Medicina, especificamente, pretendemos chegar a 700 alunos. Na graduação, iniciaremos com as disciplinas de Nutrição e Fisioterapia, seguidas de Enfermagem e Psicologia, e, por último, Medicina " destaca Vieira.
A expectativa, explica, é iniciar os cursos de Nutrição e Fisioterapia em 2026, ficando os demais para o ano seguinte.
No Rio, a Rede D’Or trabalha com a ideia de fazer do Glória D’Or, inaugurado às vésperas da pandemia nas antigas instalações da Beneficência Portuguesa no bairro carioca, um complexo reunindo, além da assistência médica, atividades em pesquisa, inovação e ensino. Já está no prédio uma unidade do Idor, o instituto de pesquisa e ensino do grupo, que oferece cursos de pós-graduação e graduação na área de saúde. A meta é abrir a graduação em Medicina. Procurada, a Rede D’Or não comentou.
R$ 30 bi
É o investimento no novo prédio da UVA no Rio
Entidade aposta na localização como diferencial para atrair alunos de todo o país