Miércoles, 03 de Junio de 2026

Eletroportáteis atraem fabricantes tradicionais de outros produtos

BrasilO Globo, Brasil 8 de diciembre de 2024

Novas marcas têm despontado no mercado brasileiro de eletroportáteis, como air fryers, ...

Novas marcas têm despontado no mercado brasileiro de eletroportáteis, como air fryers, chaleiras, forninhos e panelas elétricas, mas elas não são novatas nem desconhecidas dos consumidores. Com experiência em segmentos afins, Elgin, Itatiaia, Wap e Midea, entre outras, vêm aproveitando um setor que só cresce para expandir o portfólio. A estratégia, em geral, é a mesma: sem precisar fazer grandes investimentos, importam os produtos de países asiáticos e imprimem aqui suas marcas.
A Elgin se consolidou como uma das principais fabricantes de máquinas de costura. Depois, entrou na produção de aparelhos de ar condicionado, de pilhas e baterias e de impressoras de cupom fiscal. Mais recentemente, a lista aumentou com air fryers, cafeteiras e chaleiras elétricas, além de barbeadores, aspiradores de pó e ferros de passar.
Diretor comercial de Ar-condicionado e Eletroportáteis da Elgin, Anderson Bruno explica que a empresa não precisou expandir as fábricas na Zona Franca de Manaus e em Mogi das Cruzes (SP) para entrar no mercado de portáteis. A estratégia foi montar os produtos a partir de peças de fornecedores nacionais ou importá-los já prontos de fabricantes asiáticos. A empresa criou um escritório na China que monitora a qualidade dos produtos diretamente com os fornecedores.
" É um mercado em ascensão, que movimenta R$ 18 bilhões com predominância ainda de poucas empresas " diz Bruno.
Dos cerca de 73 milhões de equipamentos vendidos no país entre janeiro e agosto, quase 50 milhões foram eletroportáteis, segundo a Eletros, a associação do setor. A linha é a que mais cresce no mercado: de 2021 para cá a alta foi de 47,7%, à frente do aumento de 44% dos aparelhos de ar condicionado e dos 23% da linha marrom, que inclui TVs e aparelhos de som.
A estratégia de recorrer a fabricantes que trabalham no modelo de produção terceirizada para outras marcas foi também o caminho seguido pela Itatiaia. Tradicional em móveis de cozinha, a marca passou a fabricar fogões e cooktops há uma década. No ano passado, entrou também na linha portátil de cozinha, como air fryers, panelas de pressão e de arroz elétricas, sanduicheiras e batedeiras, que vêm dos fornecedores chineses já montadas e com a marca Itatiaia impressa.
" Fizemos uma pesquisa de mercado para entender onde nossa marca teria aderência ao consumidor e vimos que na cozinha somos fortemente lembrados. Existe uma oportunidade de mercado muito grande " diz o gerente de Marketing e Comercial da Itatiaia, Victor Balbi.
Na Wap, a linha portátil, com 16 tipos de produtos, já representa 45% das vendas, enquanto as tradicionais lavadoras de alta pressão, aquelas pistolas com mangueiras que facilitam lavagens em geral, correspondem a 40%. A empresa também importa da China os eletroportáteis, enquanto ventiladores, aspiradores de pó e as lavadoras são produzidos em duas fábricas no Brasil. Para o ano que vem, a expectativa é que a produção passe a ser 100% nacional.
" Estamos tentando desconstruir a imagem de que a Wap só produz lavadora de alta pressão " diz o diretor de Novos Negócios da empresa, Leandro de Azevedo.
Movimentos semelhantes já foram vistos no passado. A Philco, que começou com TVs, hoje também produz climatizadores, ventiladores, escovas elétricas e air fryers. A Black & Decker saiu de ferramentas como furadeiras e parafusadeiras, e passou para liquidificadores, processadores de alimentos e cafeteiras.
CONSUMIDOR MENOS FIEL
A chinesa Midea chegou ao Brasil em 2011, numa joint-venture com a Carrier, de ar condicionado. Nas fábricas no país, produz micro-ondas e aparelhos de refrigeração residencial e comercial. Mais recentemente passou a trazer da China aspiradores robô, torradeiras e ventiladores, entre outros produtos.
" Trazendo os portáteis das nossas fábricas na China, temos a vantagem de ter mais rapidez para desenvolver produtos mais tecnológicos e que atendam aos desejos específicos do consumidor brasileiro. A ideia é expandir a linha para outros produtos de cuidados com a casa " diz Mario Sousa, vice-presidente de Vendas e Marketing.
Para analistas, as apostas fazem sentido porque os consumidores estão menos fiéis a marcas e mais propensos a experimentar novas opções em busca de melhores preços. A ampliação do portfólio aproxima a empresa dos clientes, diversifica as receitas e diminui riscos, afirma Rodrigo Catani, sócio-diretor da consultoria Gouvêa Consulting.
Coordenador do Centro de Excelência em Varejo da FGV, Maurício Morgado observa que terceirizar a produção na Ásia é mais barato, especialmente quando a empresa já tem rede de distribuição:
" Importar de países asiáticos é um teste de mercado com baixíssimo investimento.
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