Tiktok sai do ar, mas volta com apoio de trump
A lei que determina o banimento do TikTok nos Estados Unidos sem que a chinesa ByteDance ...
A lei que determina o banimento do TikTok nos Estados Unidos sem que a chinesa ByteDance venda o controle de sua operação no país entrou em vigor ontem, mas, ainda na noite de sábado, 170 milhões de usuários americanos perderam o acesso à rede social de vídeos curtos, uma das mais populares do mundo. A direção do TikTok tirou o aplicativo do ar no país por quase 13 horas, mas retomou as operações depois de o presidente eleito Donald Trump anunciar que vai adiar a proibição do app por meio de um decreto, após a sua posse, marcada para hoje. Ele ainda propôs que os donos chineses vendam o controle e 50% da rede nos EUA a sócios americanos.
O TikTok tornou-se proibido no país desde ontem. Na semana passada, a Suprema Corte do país validou a legislação sancionada no ano passado pelo presidente Joe Biden, que dava até 19 de janeiro para a empresa chinesa encontrar um comprador para sua operação nos EUA ou ser banida, por questões de segurança nacional. Os EUA temem que a China tenha acesso a dados de cidadãos americanos por meio da rede social. Com o início da proibição, Apple e Google removeram o TikTok de suas lojas de apps nos EUA, no que seria um processo gradual de banimento. Foi uma decisão da ByteDance tirá-la do ar de uma vez.
Biden passa a bola
Antes, o TikTok chegou a apelar para que Biden emitisse uma ordem para a manutenção dos provedores do aplicativo, estendendo o prazo previsto na lei. Somente o presidente pode fazer isso, caso a empresa demonstre que tem uma negociação em curso. No entanto, o democrata afirmou que deixaria a decisão para seu sucessor, que só pode agir depois de ser empossado hoje no Congresso americano.
Nas primeiras horas de ontem, quem tentava acessar o TikTok em solo americano só podia ler uma mensagem no aplicativo: "Uma lei que proíbe o TikTok nos Estados Unidos foi aplicada. Isso significa que você não pode mais usar o TikTok neste momento".
Trump então anunciou em sua própria rede social que daria um novo prazo, de mais 90 dias, e ainda propôs que a plataforma seja controlada em 50% por acionistas americanos. "Eu emitirei uma ordem executiva na segunda-feira para estender o período antes que as proibições da lei entrem em vigor, para que possamos fechar um acordo para proteger nossa segurança nacional", escreveu Trump na rede Truth Social. "Gostaria que os Estados Unidos tivessem a propriedade de 50% de uma empresa conjunta".
À tarde, num comunicado, a direção do TikTok informou que havia iniciado o reestabelecimento de seus serviços no país e agradeceu a Trump. A empresa disse ainda que vai trabalhar com o presidente para construir uma "solução de longo prazo que permita a permanência da plataforma no país". Em seguida, usuários começaram a notar que seus aps voltaram a funcionar.
Apesar da promessa de Trump " que iniciou a ofensiva americana contra o TikTok em seu primeiro governo ", não está claro se a ByteDance cumpre os requisitos necessários previstos na lei para a ampliação do prazo. A lei diz que o adiamento só é possível caso se certifique que um acordo está sendo feito, com "progressos significativos" para concluir a transação dentro desse novo prazo.
O grupo de defesa da internet Project Liberty, do empresário Frank McCourt, diz ter feito uma proposta pelo TikTok nos EUA. A startup Perplexity AI afirmou ontem que propôs à ByteDance a fusão de suas operações nos EUA. Embora haja interessados em adquirir a rede, não há uma negociação oficializada. Ao longo do último ano, a ByteDance manteve sua posição de que não está disposta a vender o TikTok e apostou todas as suas fichas na batalha jurídica travada na Suprema Corte. Mas essa posição pode mudar agora com a ideia de Trump.
"Sem a aprovação dos EUA, não há TikTok", escreveu Trump em sua rede social. "Com a nossa aprovação, ele vale centenas de bilhões de dólares " talvez trilhões." Em um discurso para apoiadores na noite de ontem, em Washington, Trump exaltou a disposição de big techs de trabalhar com ele e comemorou:
" O Tik Tok está de volta!
Também há dúvidas se o novo presidente poderá legalmente estender um prazo que oficialmente já se esgotara no domingo. Embora Trump tenha recebido elogios de usuários do TikTok pelo adiamento nas redes, ele pode enfrentar céticos em seu próprio Partido Republicano, que veem o aplicativo como uma ameaça contínua à segurança nacional.
‘Sobrevivemos’
Caso o Congresso não chancele a proposta de Trump, empresas de tecnologia como Apple, Google e Oracle podem ficar em um limbo jurídico, já que poderiam enfrentar multas significativas por continuarem apoiando tecnicamente o aplicativo e oferecendo-o em suas lojas virtuais de apps.
Com a volta do TikTok nos EUA, usuários que já estavam anunciando a migração para outras redes sociais, como Instagram, X e RedNote, comemoraram. "TikTok voltou. Nós sobrevivemos sem ele", publicou um internauta no X. (*Com agências internacionais)