Jueves, 26 de Marzo de 2026

É melhor pagar assessor com taxa fixa ou comissão?

BrasilO Globo, Brasil 27 de enero de 2025

Com a remuneração das corretoras e dos assessores de investimentos mais transparentes ...

Com a remuneração das corretoras e dos assessores de investimentos mais transparentes desde novembro de 2024, investidores começam a ter de decidir como desejam pagar pelos serviços: comissão ou taxa fixa anual. Esses dois modelos devem conviver daqui em diante " e não há um que seja melhor que o outro, e sim o ideal para cada investidor.
A comissão compensa para aqueles que não demandam dos assessores ou não mexem muito na carteira. Já o modelo de taxa fixa é para quem deseja contar com conselhos, mas sem se preocupar que uma indicação esteja sendo feito por render melhores comissões ao profissional.
A carreira de assessor de investimento é relativamente nova no Brasil, mas tem se expandido conforme aumenta o número de investidores. Eles trabalham para corretoras, distribuindo os produtos delas. O número de profissionais quase triplicou em cinco anos, de 9,6 mil em dezembro de 2019 para 26,7 mil em dezembro do ano passado.
Poucas oferecem
No modelo de comissão, os assessores ganham uma remuneração variável, de acordo com o investimento escolhido pelo cliente. É a corretora que paga essa remuneração. Já no modelo de taxa fixa anual, mais comum nos Estados Unidos e na Europa, os assessores ganham um percentual sobre o patrimônio total investido pelo cliente anualmente. É o cliente que paga essa remuneração.
Nesse segundo modelo, a taxa varia normalmente entre 0,4% e 1% ao ano. Quanto maior o patrimônio investido, menor é a taxa. O investidor recebe de volta, como um desconto, as comissões que os assessores ganham pelos produtos vendidos.
Na maioria dos escritórios, no entanto, o modelo mais comum é de comissão.
Nas maiores plataformas de investimentos, só a XP oferece hoje a possibilidade de os escritórios cobrarem taxa fixa, mas outras corretoras discutem adotá-la. O modelo novo está avançando porque as comissões pagas pelos produtos vendidos ficaram mais claras após a entrada em vigor da resolução CVM 179, em 1º de novembro de 2024. A ideia é que os investidores possam ver quanto estão pagando, a fim de escolher melhor o serviço, o que incentiva o modelo de uma taxa fixa alinhada com o cliente.
" Pelo menos 10% das assessorias de investimentos já estão com esse modelo de taxa fixa, e esperamos que ele aumente bastante em 2025 " afirma Guilherme Miziara, responsável por negócios para profissionais da Gorila.
Segundo ele, o cliente está começando a mudar a percepção sobre o que é esse serviço e o que diferencia uma assessoria da outra.
Mas existe outro motivo para mais assessorias oferecerem a taxa fixa: juros altos e a concorrência de investimentos de renda fixa, com comissões mais baixas. Nesse cenário, ganhar dinheiro está mais difícil para os assessores e, em alguns escritórios, a taxa fixa é uma forma de elevar o ganho ou ter uma receita mais previsível.
Em meio a tantos interesses, é importante entender o risco que se toma ao escolher entre um tipo de remuneração e outro. No caso das comissões, o maior perigo é chegar a transações excessivas que não estão alinhadas aos interesses dos investidores. Já na taxa fixa, o custo elevado pode não ser compatível com o serviço oferecido.
" A taxa fixa faz mais sentido para poder oferecer os melhores investimentos aos clientes, independentemente da remuneração. Ela acaba com o conflito de interesses por trás. Ao mesmo tempo, há muitos questionamentos sobre qual é a taxa ideal. De todo modo, à medida que o modelo de taxas fixas evolui, elas devem diminuir " afirma Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Way Investimento.
Comissões, em geral, compensam para quem concentra investimentos em produtos que pagam comissões baixas, como os papéis do Tesouro Direto, ou para quem mexe pouco na carteira.
Não é fórmula pronta
Quem paga a taxa fixa, por ver a cobrança, exige mais do serviço, diz Diego Ramiro, presidente da Associação Brasileira de Assessores de Investimentos (Abai). Ele observa, porém, que a taxa fixa não é fórmula pronta para resolver os conflitos de interesse:
" O que resolve é a educação dos investidores e a transparência.
Analistas fazem dois alertas. Em primeiro lugar, desconfie de assessorias que oferecem "benefícios" aos clientes para migrar para esse modelo, como aplicações com comissões elevadas, que não são as melhores para os investidores. Em segundo, desconfie dos escritórios que oferecem a taxa fixa, mas antes empurram aplicações de prazos longos com comissões altas.
Além disso, a maioria das plataformas continua ganhando comissões do mercado (de gestoras de fundos, por exemplo) para comercializar as aplicações. Ou seja, ainda há um esquema de incentivos.
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