Servidores do ibge chamam pochmann de ‘presidente paralelo’
A suspensão da fundação IBGE+ não pôs fim à crise no IBGE. Ontem, uma carta com mais de ...
A suspensão da fundação IBGE+ não pôs fim à crise no IBGE. Ontem, uma carta com mais de 400 assinaturas mostra as queixas dos profissionais de comunicação do instituto. A carta se refere ao presidente do IBGE, Márcio Pochmann, como um "presidente paralelo", que trouxe profissionais de fora do órgão, não concursados, e que saturaram a página do instituto, a Agência IBGE e as redes sociais com "notícias sobre o presidente e suas realizações" em detrimento de informações sobre os resultados das pesquisas do instituto. O documento conta com mais de 400 assinaturas de servidores de diversas áreas.
Em um dos trechos do manifesto, os servidores lembram que, no ano passado, o instituto divulgou dados sobre a queda recorde do desemprego, redução da população abaixo da linha de pobreza e os primeiros resultados do Censo 2022 sobre a população que vive em favelas. Mas o texto afirma que a retrospectiva jornalística da Agência IBGE "redigida sob a supervisão direta do assessor de comunicação nomeado por Pochmann só fala... de Pochmann". E conclui: "O IBGE paralelo está ofuscando o IBGE que realmente interessa à sociedade brasileira".
Os profissionais criticam a utilização do aparato de comunicação social do IBGE para promoção pessoal, o que dizem estar sendo feito pelo presidente, e reafirmam que a divulgação das estatísticas oficiais deve ser objetiva e impessoal, independentemente de influências políticas.
O texto acusa a presidência de não atender a imprensa adequadamente, dizendo que Pochmann se recusa a contemplar as demandas e se limita a responder questionamentos através de notas "tardias" publicadas no portal do IBGE.
"Pochmann, ao contrário de quase todos os que o antecederam no cargo, até hoje não deu uma coletiva para a imprensa que cobre o IBGE rotineiramente, preferindo falar com correspondentes estrangeiros, blogueiros amigos ou com veículos isolados, escolhidos sem qualquer transparência", dizem os profissionais.
Os servidores criticam as viagens feitas nesta semana pelo presidente para divulgação do novo plano de trabalho. .
"Outra enorme fonte de atritos está nas turnês oportunistas pelo país, que pegam carona nas divulgações mais concorridas do IBGE, como as do Censo 2022 e de algumas pesquisas anuais, para agenda paralela de Pochmann e seus assessores, incluindo contatos com diversos políticos locais".