O ex-atleta que conecta marcas (e o mundo) ao rio pelo esporte
Quando as bolas começarem a quicar hoje nas quadras do Jockey Club, na abertura da 11ª ...
Quando as bolas começarem a quicar hoje nas quadras do Jockey Club, na abertura da 11ª edição do Rio Open, além de tenistas e muito saibro, os espectadores verão também um desfile recorde de marcas. Com 40 patrocinadores " cinco a mais que no ano passado " e 65 mil ingressos esgotados, o maior torneio de tênis da América do Sul prevê crescer 18% em receitas, consolidando um espaço privilegiado no orçamento de marketing de companhias nacionais e estrangeiras.
" Lá atrás, para conseguir marcar uma reunião com qualquer empresa, era um sufoco. Para que a pessoa certa estivesse na sala, era quase impossível. Hoje em dia, é o contrario. Somos abordados o tempo todo " comemora Alan Adler, o carioca bicampeão mundial de vela que participou de três olimpíadas e está à frente da IMM, organizadora do Rio Open.
Além de anunciantes históricos " como a Claro, que é "patrocinadora máster" desde a primeira edição, e o Santander " o Rio Open atraiu sete estreantes ao rol de marcas, entre elas Zurich, Seara e RIOgaleão. São empresas interessadas, segundo Adler, em transformar em ocasião de relacionamento de experiência um evento esportivo ao vivo " o filé mignon da TV.
" O Rio Open se tornou uma plataforma de relacionamento para as marcas tão forte quanto a Fórmula 1 " observa o empresário, que também organiza o GP de São Paulo. " A comunicação mudou com a fragmentação do conteúdo. As marcas precisam ter o que conversar com o fã, e o esporte é um assunto, com a chance de impactar o público por meio da emoção. E comprar um pacote de mídia para 200 países é muito caro. No Rio Open e na Fórmula 1, o mundo está assistindo.
A sorte também jogou a favor. Calhou de haver, justo às vésperas do Rio Open, um brasileiro despontando como grande promessa do tênis. João Fonseca se tornou a principal atração do torneio este ano depois de vencer, em janeiro, o russo Andrey Rublev (número 9 do mundo) na primeira rodada do Aberto da Austrália. Outra estrela do Rio Open é o alemão Alexander Zverev.
" Lá atrás, a gente sonhava em ter um torneio desse nível e ver um brasileiro com chances de ganhar. Depois de 11 anos, esses sonhos se realizaram. Sabíamos que o desempenho do João teria um impacto enorme " conta Adler, admitindo que o torneio está "fisicamente no limite ali no Jockey". " Estudamos algumas possibilidades de lugares alternativos para crescer o evento, mas é tudo inicial e, se acontecer, seria a partir de 2027.
A abertura do Rio Open será também uma data especial para o empresário: há exatamente um ano, em meio à correria do torneio, Adler comprou a IMM. A companhia pertencia ao Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, e Adler atuava como CEO. Mas o empresário estava na origem do negócio, já que a semente para a IMM foi uma companhia fundada pelo ex-atleta olímpico no começo dos anos 2000, a Brasil1 Esporte e Entretenimento.
Nascida a partir de um barco montado por Adler para participar da Volvo Ocean Race, a Brasil1 enveredou para o entretenimento, produzindo eventos como o show do The Police no Maracanã em 2007. Em 2011, no auge do hype de Eike Batista, o Grupo EBX fez uma joint-venture com o grupo internacional IMG e comprou a Brasil1. A companhia passou a se chamar IMX, e Adler seguiu no negócio como CEO " e continuou no posto mesmo depois que, diante da derrocada do império X, o Mubadala absorveu a empresa.
Além de Fórmula 1 e Rio Open, a IMM tem o que Adler chama de "mosaico de marcas", produzindo eventos como Cirque du Soleil, São Paulo Fashion Week e o gastronômico Taste São Paulo Festival. Uma novidade do portfólio anima especialmente o ex-atleta olímpico: a SailGP, liga global de corridas de vela cujos barcos chegam a 100 km/h e que vem sendo descrita como "a Fórmula 1 dos mares". Propriedade do bilionário americano Larry Ellison, fundador da Oracle, a SailGP terá sua primeira edição no Brasil em maio, em plena Baía de Guanabara.
" A abertura será no mesmo dia do show da Lady Gaga (3 de maio). Quem estiver na cidade para o show vai querer torcer para o Brasil " diz o empresário, contando que os barcos partirão da altura do restaurante Assador, no Aterro do Flamengo.
Para trazer a competição ao Brasil, a IMM teve que criar uma equipe local. Será a primeira chefiada por uma mulher " Martine Grael " e terá financiamento da própria Mubadala e patrocínios de Ambipar, BRB e Oakberry. Os patrocinadores da etapa do Rio da Sail GP são Enel e TIM.