Startup goiana terá 200 ‘robôs’ de entrega no país até o fim do ano
Um "funcionário" inusitado tem circulado por shoppings e prédios comerciais do país: um ...
Um "funcionário" inusitado tem circulado por shoppings e prédios comerciais do país: um carrinho autônomo, sem qualquer controle humano, que ajuda na entrega de comida e de outras encomendas. O SD02, da startup goiana Synkar, fez 5 mil entregas nos shoppings Iguatemi de Ribeirão Preto (SP) e São José do Rio Preto (SP) no ano passado, levando pedidos dos restaurantes até um terminal do iFood para que os entregadores retirem ali os pacotes.
Equipado com IA, o robô da Synkar tem 20 unidades em funcionamento no país. Mas os carrinhos devem ser trocados por um modelo mais tecnológico nos próximos meses, o SD03.
Existem quase 300 unidades reservadas do novo modelo e a empresa estima entregar até 200 delas ainda em 2025.
Ao contrário do SD02, o novo modelo consegue transitar em áreas externas, como as de condomínios horizontais empresariais ou residenciais. Além disso, tem o dobro de autonomia e áudio e iluminação melhores. A ideia ainda não é ir para as ruas. Há também um caçula em desenvolvimento, o SDX, que terá como foco exclusivamente operações logísticas.
Robôs na sede DO iFOOD
Atualmente, o SD02 é usado principalmente em centros comerciais, transportando encomendas de estabelecimentos locais para clientes e empresas. Em shoppings, ele entrega pedidos de restaurantes até pontos de coleta do iFood.
Fundada em 2018, a Synkar recebeu um aporte do próprio iFood em 2021, de valor não revelado. Em Osasco (SP), na sede do iFood, os robôs participam da rotina diária de trabalho: os funcionários podem pedir algo da cafeteria, e a entrega chega em qualquer sala de reunião ou estação de trabalho no prédio.
Em shoppings, a empresa estima reduzir em até 40% o tempo de entrega de pedidos, justamente porque os entregadores não precisam mais tirar a bag (a mochila carregada pelos profissionais) e tentar encontrar o restaurante, por exemplo. E o custo cai pela metade.
Há também algumas unidades empregadas em processos industriais, ajudando a separar e abastecer linhas de montagem, por exemplo.
" Um separador de armazém chega a andar 25 km diariamente, e conseguimos diminuir em 80% a quantidade de passos. É um trabalho exaustivo, com um turnover grande. Com o uso do robô na separação, conseguimos aumentar a eficiência " diz Lucas Assis, CEO da Synkar, acrescentando que a empresa não vende os carrinhos, apenas aluga no modelo Robot as a Service.
O modelo SD02 pode carregar entre 30 e 45 quilos. Caso o percurso inclua rampas ou pavimentos irregulares, o ideal é colocar menos peso. O carrinho conta com IA e consegue conversar com clientes e andar por elevadores:
" Ele consegue subir sozinho pelo elevador. Instalamos um dispositivo na caixa de máquinas, então conseguimos integrar o robô com o elevador.
R$ 8 MILHÕES INVESTIDOS
Segundo o CEO, os custos logísticos são um grande problema no Brasil e exigem automação. Muitos clientes dobram sua capacidade logística, mas veem os custos triplicarem.
" É uma indústria em crescimento, mas o custo cresce mais do que a saída de produtos " afirma o CEO da Synkar.
Assis estima que foram investidos até agora aproximadamente R$ 8 milhões no desenvolvimento do carrinho.
Chrystienio Teles Marques, gerente de Alimentos e Bebidas do Hotel Atlântica Goiânia, conta que o SD02 foi a solução encontrada para realizar as entregas da cafeteria e do restaurante às 670 salas comerciais do Órion Complex, o prédio onde fica o hotel e 60 mil pessoas circulam por mês.
A empresa enfrentava dificuldades para contratar mão de obra e queria se destacar na concorrência com outros estabelecimento do ramo.
" Temos concorrentes dentro do complexo e as pessoas não querem descer para buscar o almoço ou lanche. Nós demos um passo à frente. Teríamos que disponibilizar de duas a três pessoas para as entregas, e atualmente temos apenas um robô. Com a tecnologia, conseguimos padronizar o tempo médio de 25 minutos para a entrega.
NOVA EXPERIÊNCIA
Marques planeja ampliar o número de robôs para quatro, expandindo o serviço para o próprio hotel, com entregas nos quartos, e para o hospital do complexo.
" Estamos aumentando as vendas porque a tecnologia facilita toda a operação, e também gera experiência. As pessoas querem ter esse contato. Ter a experiência de chegar uma máquina lá, conversar com você, te cumprimentar e entregar seu pedido.