Militares se acham melhores do que os civis
Vem aí, em maio, um livro que tem tudo a ver com estes dias que abalam o Brasil, ...
Vem aí, em maio, um livro que tem tudo a ver com estes dias que abalam o Brasil, reforçados pela lembrança do Golpe Militar de 1964, que, na segunda-feira, completa 61 anos.
Trata-se de "Utopia autoritária brasileira: como os militares ameaçam a democracia brasileira desde o nascimento da República até hoje", do historiador Carlos Fico, a ser publicado pela Planeta.
Coincidentemente, oficiais de alta patente, incluindo um ex-presidente, foram considerados réus pelo STF nesta semana, pela tentativa de abolir o Estado democrático de Direito.
"Eu pesquisei durante três anos e escrevi o livro em um ano. Pensei que estava fazendo apenas um livro de História, mas ele acabou sendo quase um livro de conjuntura por causa do golpismo bolsonarista", diz o autor, carioca, 66 anos, professor da UFRJ.
Em "Utopia autoritária brasileira", Fico mostra como as Forças Armadas moldaram a República, intervindo diretamente nas crises políticas que abalaram o país e expondo uma fragilidade democrática que persiste até hoje.
O historiador também identifica um padrão recorrente do pensamento dos militares: o desprezo pela política, a convicção de superioridade sobre os civis e a crença de que a sociedade não está preparada para se governar.
Democracia é melhor.