Neon entra em ‘terceira fase’ e mira novas classes e produtos
Banco digital que conseguiu ser avaliado em US$ 1,4 bilhão e atrair investidores como ...
Banco digital que conseguiu ser avaliado em US$ 1,4 bilhão e atrair investidores como General Atlantic e BBVA focando em clientes das classes C e D+, o Neon está entrando no que o CEO Fernando Miranda classifica de "terceira fase". Nela, a meta é dobrar de tamanho em dois anos por meio de novos produtos e da ampliação da clientela em potencial.
" Vamos subir um pouco na pirâmide de renda, entrando mais na classe B-. O cliente que eventualmente seja um motorista de aplicativo, por exemplo. Queremos lançar um cartão diferente para esse perfil de renda " conta Miranda, que dividia o comando do Neon desde 2022 com o fundador Pedro Conrade e assumiu o cargo de CEO em dezembro.
Fundada em 2016, a fintech focou mais em crescimento que em rentabilidade até 2021. No momento em que os juros apertaram, o Neon precisou dar mais atenção à geração de receitas, aumentando o rol de produtos para além de conta e cartão. O"breakeven" " isto é, o começo do lucro " veio no fim de 2024.
Na nova fase, o "unicórnio" quer equilibrar os dois pratos " crescimento e lucro " ao mesmo tempo. A estratégia está apoiada na independência operacional recém-adquirida. Em 2024, a fintech internalizou a administração da carteira de cartões que era operada em sociedade com o BV. Antes, o Neon já havia comprado uma financeira, o que lhe deu a licença para emitir CDBs. Já foram R$ 4,9 bilhões.
" O objetivo é chacoalhar o cliente inativo " disse o CEO do Neon, que tem 32 milhões de clientes, sendo 10 milhões ativos.
Um dos focos será o novo consignado. O consignado é menos de 20% da carteira do banco, mas Miranda prevê que o mercado vai se multiplicar por dez com as novas regras:
" Estamos com os canhões prontos. Mas ainda estamos cautelosos, porque detalhes ainda precisam ser definidos. Mas em questão de semanas, tudo estará mais claro.
Outra aposta é no Open Banking. Em março, a fintech foi autorizada pelo Banco Central a atuar como Iniciador de Transação de Pagamento (ITP) via Pix. A licença aumenta o relacionamento da conta com outros serviços.
" Já temos 400 mil de consentimentos (de dados) no Open Banking. A partir de metade do ano, já teremos casos de uso. Isso é fundamental para trazer mais clientes. A política dos bancos é binária, tem muita gente negativada por besteira " explicou.