J&f paga r$ 15 bi por participação da paper excellence na eldorado
A J&F, holding dos irmãos Wesley e Joesley Batista, e o grupo de papel e celulose Paper Excellence ...
A J&F, holding dos irmãos Wesley e Joesley Batista, e o grupo de papel e celulose Paper Excellence assinaram ontem o acordo que põe fim a uma disputa de oito anos pelo controle da fabricante brasileira de celulose Eldorado. Encerrando o que é considerado o maior litígio societário em curso na Justiça brasileira, a J&F comprou por US$ 2,64 bilhões (R$ 15 bilhões) a participação de 49,41% da companhia de origem indonésia, hoje baseada no Canadá.
Em comunicado conjunto, a holding dos irmãos Batista e a Paper Excellence afirmaram que a transação "atende plenamente aos interesses de ambas as partes e põe fim, de forma plena e definitiva, a todos os processos judiciais e arbitrais em curso." E acrescenta que "a J&F demonstra, com esse investimento, a sua confiança no Brasil e na Eldorado. A Paper Excellence seguirá explorando oportunidades no setor de celulose e papel."
O operação foi quitada à vista pela J&F. Aguinaldo Filho, presidente da holding e do Conselho de Administração da Eldorado, disse em nota que o acordo "é uma página que viramos de forma amigável" e desejou sucesso aos agora ex-sócios.
Valor inicial era de R$ 16,3 bilhões
O valor final do acordo veio pouco abaixo do que vinha sendo discutido. Fontes ouvidas, sob condição de anonimato, pela coluna Capital, do GLOBO, falaram que o valor começou em US$ 2,9 bilhões (R$ 16,3 bilhões). Na reta final, o valor foi reduzido para US$ 2,7 bilhões (R$ 15,2 bilhões) e o contrato foi firmado por US$ 2,64 bilhões (R$ 15 bilhões).
A venda da participação da Paper de volta para a J&F deve destravar o apetite da Eldorado por investimentos, na visão de Daniel Gildin, sócio da Fortezza Partners, assessoria de investimentos especializada em fusões e aquisições.
" Durante anos, a empresa ficou travada por conta da disputa societária e deixou de aproveitar boas oportunidades de aquisição, enquanto concorrentes como Suzano, CMPC e Bracell avançaram. Agora, a expectativa é que a Eldorado busque recuperar esse tempo perdido, entrando de forma mais ativa no mercado e, em alguns casos, podendo ser a única opção de comprador para alguns ativos " afirma Gildin.
Terceira maior indústria de papel e celulose no Brasil, atrás de Suzano e Klabin, a Eldorado encerrou o primeiro trimestre deste ano com uma receita líquida de R$ 1,62 bilhão, alta de 14% frente a igual período de 2024. O lucro líquido foi de R$ 459 milhões, crescimento anual de 50%.
A disputa entre as duas companhias começou em 2018, um ano após a J&F vender a Eldorado para a Paper, em uma transação que avaliou a companhia brasileira em R$ 15 bilhões, incluindo R$ 7,4 bilhões em dívidas. No ano seguinte, um desentendimento entre as partes levou o caso à Justiça.
Na época, a Paper já havia quitado cerca de R$ 3,8 bilhões do contrato e acabou ficando com apenas 49,41% das ações da Eldorado, enquanto o restante dos papéis ficou com os Batista.
Até o acordo bilionário, foram dois meses e meio de negociações.