Quais são as exigências do líder russo?
Qual a proposta de Putin?
Qual a proposta de Putin?
Putin exige a retirada das forças ucranianas do russófono Donbass, que compreende as províncias de Donetsk e Luhansk e é rico em recursos minerais como carvão e minério de ferro. Embora Luhansk esteja quase inteiramente sob controle russo, a Ucrânia ainda detém partes-chave de Donetsk. Em troca, Putin oferece congelar o conflito ao longo das linhas de frente atuais em Kherson e Zaporíjia, onde forças russas ocupam áreas significativas no sul ucraniano, e fornecer uma promessa por escrito de não atacar novamente. Desde a invasão em 2022, o governo russo realizou referendos de anexação em Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporíjia, considerados uma farsa por parte da comunidade internacional.
O que diz a Ucrânia?
Autoridades ucranianas estimam que 255 mil civis ainda vivam nos 9.000 km² da província de Donetsk que a Rússia não conseguiu tomar, principalmente na área industrial densamente povoada dentro e ao redor das cidades de Sloviansk e Kramatorsk. O líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, rejeitou a cessão de território que ainda não esteja sob ocupação russa. Vários políticos e figuras públicas condenaram a ideia de entregar terras não ocupadas à Rússia em troca de paz, argumentando que seu país não foi derrotado e não deveria ser forçado a se render.
Há garantias de segurança?
Como parte de um acordo eventual para pôr fim ao conflito, EUA e aliados europeus ofereceriam uma garantia parecida com o mandato de defesa coletiva da Otan, a aliança militar liderada por Washington, sob seu artigo 5: um ataque a qualquer membro é um ataque contra todos. A oferta seria fora do marco da Otan, já que uma das exigências de Putin para encerrar a guerra é evitar que Kiev se junte à aliança militar. Ainda não está claro como isso funcionará na prática, algo que líderes europeus e Kiev esperam detalhar no encontro de hoje na Casa Branca.
Por que Putin exige o Donbass?
O Donbass está no centro da visão de Putin sobre a guerra, moldada por sua crença na unidade histórica dos falantes de russo em toda a antiga União Soviética. Putin inicialmente apresentou a invasão como a defesa dos separatistas pró-Rússia da região, que lutavam contra o governo de Kiev com o apoio militar e financeiro do Kremlin desde 2014. Essa promessa torna o controle do Donbass uma condição crucial para Putin declarar que o trabalho na Ucrânia foi concluído, disse Konstantin Remchukov, editor em Moscou com ligações no Kremlin. Remchukov e outros comentaristas do Kremlin especularam que o Putin pode estar disposto a negociar outros territórios ocupados para obter o restante do Donbass. Segundo Sergei Markov, cientista político baseado em Moscou e ex-assessor do Kremlin, "Donetsk é percebida como muito mais ‘nossa’ do que Dniéper, Sumy ou Kharkiv", regiões ucranianas com presença limitada de tropas russas.