Jueves, 26 de Marzo de 2026

Cni pede prudência sobre uso da lei da reciprocidade

BrasilO Globo, Brasil 30 de agosto de 2025

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu ontem cautela diante da escalada da ...

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu ontem cautela diante da escalada da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizar a abertura de consultas para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra o tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Na quinta-feira, o Palácio do Planalto comunicou oficialmente à Câmara de Comércio Exterior (Camex) o início do processo. A CNI afirmou que ainda é preciso apostar no diálogo.
"O setor industrial continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência, e avalia que não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica", diz trecho da nota da entidade. Na avaliação da CNI, as economias brasileira e americana são complementares, e a relação bilateral construída ao longo de mais de 200 anos deve ser preservada.
" Nosso propósito é abrir caminhos para contribuir com uma negociação que possa levar à reversão da taxa de 50% e/ou buscar obter mais rapidamente o aumento de exceções ao tarifaço sobre produtos brasileiros " pontuou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Para reforçar a estratégia, uma comitiva da CNI, com mais de 100 líderes empresariais, irá a Washington semana que vem. A agenda inclui reuniões com autoridades e representantes do setor privado americano, além de preparativos para uma audiência pública, no próximo dia 3, sobre a investigação aberta nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Apesar de ter acionado formalmente a Lei da Reciprocidade, o governo brasileiro mantém interesse em negociar. Segundo o Itamaraty, o processo pode durar até sete meses e prevê etapas de consulta aos EUA, além de direito ao contraditório. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, justificou a medida afirmando que os ministros Geraldo Alckmin (Desenvolvimento), Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) não têm sido ouvidos por Washington.
O presidente Lula afirmou ontem que "não tem pressa" para aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA, apesar de ter autorizado o início do processo pela Camex:
" Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei a medida porque eu tenho que andar o processo " disse Lula em entrevista à Rádio Itatiaia. " Nós estaremos dispostos a negociar 24 horas por dia.
Segundo interlocutores do governo, mais à frente, se o Brasil resolver impor sobretaxas a importados dos EUA, será de forma "pontual e simbólica", para que as indústrias nacionais que dependem de produtos americanos, como peças e insumos, não sejam prejudicadas.
O mais provável seria cassar patentes e taxar plataformas americanas de streaming. Mas não há qualquer decisão a respeito, pois a Camex terá 30 dias para avaliar se o caso se enquadra ou não na Lei da Reciprocidade antes que sejam aplicadas quaisquer medidas.
Viagens aos EUA
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai solicitar um novo visto para entrar nos Estados Unidos. A última autorização venceu em maio, e ele avalia participar de eventos internacionais no país nos próximos meses. Haddad pretende comparecer à Semana do Clima de Nova York, em setembro. Em outubro, há a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Washington.
A solicitação ocorrerá em meio à tensão diplomática entre os dois países. O governo americano cancelou o visto de oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de familiares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
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