Itaú unibanco dispensa funcionários em home office
O Itaú Unibanco, maior banco privado do país, fez ontem uma série de demissões de ...
O Itaú Unibanco, maior banco privado do país, fez ontem uma série de demissões de funcionários, que repercutiu nas redes sociais e mobilizou sindicatos de bancários. Os desligamentos estariam ligados a sinais de baixa produtividade desses funcionários, que trabalhavam para o banco em regime híbrido ou totalmente remoto, detectados por longos períodos de inatividade de seus computadores.
O banco confirma demissões, mas não informa o número de funcionários afastados. No entanto, o Sindicato dos Bancários de São Paulo estima que cerca de mil pessoas foram demitidas sem diálogo prévio com a entidade e os trabalhadores.
"Hoje (ontem) fomos surpreendidos com essa demissão em massa feita pelo banco. O banco afirma que os desligamentos se baseiam em registros de inatividade nas máquinas corporativas, em alguns casos, períodos de quatro horas ou mais de suposta ociosidade. No entanto, consideramos esse critério extremamente questionável, já que não leva em conta a complexidade do trabalho bancário remoto, possíveis falhas técnicas, contextos de saúde, sobrecarga, ou mesmo a própria organização do trabalho pelas equipes", critica Maikon Azzi, diretor do sindicato, em nota de repúdio.
Ele afirmou que o sindicato pediu explicações ao banco: "Seguiremos exigindo que o Itaú se manifeste com uma justificativa plausível e responsável para essas demissões e que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados."
Itaú: ‘padrões incompatíveis’
Segundo o sindicato, o Itaú já havia cortado 518 postos de trabalho este ano, reduzindo seu corpo funcional a 85.775 empregados. De acordo com o jornal Valor, o banco tem cerca de 60% dos funcionários em regime híbrido (com oito dias presenciais por mês) ou remoto.
"Apenas no último semestre, o Itaú obteve lucro superior a R$ 22,6 bilhões, com rentabilidade em alta, consolidando-se como o maior banco do país em ativos. É inaceitável que uma instituição que registra lucros bilionários promova demissões em massa sob a justificativa de produtividade", afirmou Neiva Ribeiro, presidente do sindicato.
O Sindicato dos Bancários do Rio também repudiou as demissões. Maria Izabel Menezes, diretora da entidade, informou em comunicado aos associados que será feito um levantamento para verificar se houve dispensas do banco também no Rio.
Em nota, o Itaú Unibanco confirmou que fez cortes de pessoal relacionados ao registro de jornada de trabalho, mas não detalhou nem informou quantos demitiu:
"O Itaú Unibanco realizou hoje (ontem) desligamentos decorrentes de uma revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada. Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco. Essas decisões fazem parte de um processo de gestão responsável e têm como objetivo preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade."