Após veto do bc, fitch rebaixa nota do master
Após o veto do Banco Central da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), a agência ...
Após o veto do Banco Central da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), a agência de classificação de risco Fitch revisou a nota de risco da instituição de Daniel Vorcaro para negativa. Com isso, as taxas dos CDBs do banco negociadas em plataformas, que já estavam em alta, dispararam. Quando as taxas sobem, significa que há mais investidores tentando vender do que comprar esses papéis.
A nota de longo prazo do Master pela Fitch caiu de B+ para B-, uma redução de dois níveis, do 14º para o 16º grau, numa escala de 21.
Em relatório divulgado ontem, a Fitch afirmou que a mudança na nota condiz com o cenário de risco traçado pela agência em abril passado, de que a transação com o BRB poderia não ser aprovada, "colocando pressão adicional sobre a liquidez do Master e seu acesso a captação".
Segundo a Fitch, a nova nota reflete a maior incerteza "quanto a sua estabilidade e a seu custo de captação".
Na manhã de ontem, os CDBs do Banco Master eram vendidos no mercado secundário (por investidores que já detêm os títulos) em plataformas de investimentos com forte desconto no preço, o que eleva a taxa de rendimento. No ambiente de negociações da XP, por exemplo, aqueles vendidos eram marcados como papéis "de risco".
Era possível achar ofertas rendendo 180% do CDI, com prêmio de 29% sobre o IPCA ou a taxas fixas de 32% ao ano. A última emissão de CDBs pelo Banco Master foi realizada no início de maio, com vencimento em 2027.
Para Rafael Dadoorian, responsável pela mesa de renda fixa na Convexa Investimentos, esse movimento reflete a indefinição sobre o futuro do banco:
" Estamos desde o início do ano com o Master no holofote, sobre a indefinição do que vai acontecer, se vai ter resgate do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ou de outras instituições. E, com incerteza, um monte de investidor aperta o botão de venda.
Para Eduardo Bruzzi, sócio do BBL Advogados, o movimento pode estar sendo ampliado por investidores que têm volumes acima de R$ 250 mil, teto da garantia do FGC sobre aplicações e respectivos rendimentos em cada instituição bancária:
" Há investidores que não estão confortáveis com essa situação e fazem a venda assumindo prejuízo. Ou temos investidores com valores acima de R$ 250 mil que podem estar liquidando na tentativa de manter até R$ 250 mil, tendo cobertura do FGC. Quem está exposto acima desse valor pode estar fazendo a venda para poder recuperar alguma coisa, pois isso não estará coberto lá na frente.
Além disso, alguns fundos de investimento e investidores institucionais têm limites para aplicação em ativos de risco. Com a redução de nota pela Fitch, podem estar vendendo os CDBs do Master para ajustar suas carteiras.