Jueves, 07 de Mayo de 2026

‘Aprendi a confiar mais na minha intuição’

BrasilO Globo, Brasil 30 de septiembre de 2025

acelerador de carreira Este texto faz parte da newsletter, que compartilha ensinamentos de ...

acelerador de carreira Este texto faz parte da newsletter, que compartilha ensinamentos de líderes para turbinar sua vida profissional entrevista
Minha conversa com Christian Gebara, CEO da Vivo, aconteceu no dia em que perdi um familiar próximo. Por algum motivo, decidi manter a data e o horário da entrevista, mesmo sabendo que teria de pegar um avião e viajar de carro. Tive um pressentimento de que era o certo a fazer.
Por coincidência, um dos pontos destacados por Gebara foi o poder da intuição. Naquela oportunidade, aprendi sobre as qualidades e defeitos das novas gerações, o valor atual de um MBA e o que Gebara diz aos filhos para blindá-los das ameaças da inteligência artificial no mercado de trabalho.
Quais são as forças da nova geração?
A grande diferença é entre nativos digitais e os que se adaptaram ao mundo digital. Os nativos digitais têm uma afinidade e uma adaptabilidade não só na evolução tecnológica, mas no uso da tecnologia em si. Entendem o instantâneo das reações a qualquer ação que você faz. Você compra em um clique, recebe em outro clique. Talvez isso torne essas novas gerações mais impacientes.
Isso é ruim?
As novas gerações buscam desafios rapidamente. Essa curiosidade, intensificada pelo acesso à informação, é positiva, mas vem com menor foco e comprometimento. Outro dia, minha filha de 17 anos me perguntou: "O que você fazia no fim de semana sem internet ou celular?" Nossa vivência com atividades mais longas, sem pressão de multitarefas, faz muita diferença. Ainda assim, talvez a maior quantidade de informação dê a essa geração uma consciência de mundo maior, com atenção à diversidade e ao planeta.
De que forma a falta de persistência é negativa?
Falo da falta de persistência em passar por um entorno macroeconômico mais negativo, ou por um tema competitivo, ou por um tema estrutural do seu mercado que influa no que está sendo executado. Se a sua tolerância é muito baixa, é ruim.
O que não muda de geração para geração?
O brasileiro sempre teve um caráter empreendedor. Gente que decidiu montar sua própria empresa, que escolheu ter uma profissão liberal. E a criatividade permanece. A maneira de ser criativo talvez possa ter mudado: hoje há mais recursos, as empresas se transformaram em ecossistemas digitais.
O que você leva em conta quando examina um currículo?
Quando vejo pessoas que cursaram faculdades de altíssimo nível no Brasil ou fora, o que me chama mais atenção não é o que ela aprendeu na faculdade, mas sim o grau de exigência que ela teve com ela mesma. Falo da disciplina e do foco para (a pessoa) ser aceita nessas universidades. Analiso também outras características, como a empatia, o poder de comunicação, a vontade e a curiosidade.
Seus filhos estão em um momento importante, de definição de carreira. O que diz para eles?
Primeiro, busque uma profissão que realmente esteja alinhada ao seu propósito de vida. No meu caso, liderar esta empresa está profundamente ligado ao meu propósito de gerar impacto e transformar vidas " de colaboradores, clientes, sociedade e até do planeta. Digo também que eles precisam ter curiosidade. Olhem tudo, leiam, pesquisem, criem repertório. Quem não têm repertório e não busca uma formação de excelência não escolhe o trabalho, é escolhido. Com disciplina, planejamento e foco, mesmo a inteligência artificial deixa de ser uma ameaça e se torna apenas mais uma ferramenta a seu favor.
Qual foi a maior frustração nos anos em que você trabalhou em consultoria?
A McKinsey foi uma grande escola: me deu visão 360°, agilidade para identificar problemas e habilidade para transformá-los em um plano executável. A minha frustração maior era, como consultor, não ser eu quem executava o plano.
Você começou na Telefônica da Espanha, foi transferido para o Brasil, e aí veio a fusão com a Vivo. Quais são os perfis de colaboradores que você valoriza no momento de uma junção de culturas?
Em primeiro lugar, é preciso ter habilidade de coordenação e a consciência de que, inevitavelmente, algumas pessoas vão sair. Nesses momentos, a abertura ao diálogo é fundamental, assim como a empatia, já que muitas vezes é preciso escolher entre dois profissionais igualmente excelentes. Transparência e comunicação também são cruciais: quem se isola gera ainda mais dúvidas e conflitos. Ainda assim, mesmo colaboradores que reuniam todas essas qualidades acabaram deixando a empresa, mas conseguiram fazê-lo de forma positiva " alguns se tornaram fornecedores, outros passaram a atuar em empresas parceiras.
O que você gostaria de ter aprendido antes dos 35 anos?
A confiar mais na minha intuição. No início da carreira, a gente tende a seguir um plano passo a passo, mas percebi depois que algumas escolhas não eram as certas. Passei anos em banco, mesmo sentindo que não era o meu caminho. O mesmo aconteceu na consultoria: eu sabia que não queria aquilo, mas a vida me levava a racionalizar " eu estava casado, prestes a ter meu primeiro filho. Não me culpo por não ter ouvido minha intuição em certos momentos, mas acredito que minha trajetória poderia ter sido diferente se tivesse dado mais atenção a ela.
De que forma?
Quando trabalhava em banco, poderia ter ido para uma empresa de marketing ou uma indústria, mas me impus a cobrança de permanecer: "Não, não, já estou aqui". Mas é preciso aprender a ler certos sinais. A vida me mostrou isso, e hoje essa sensibilidade orienta minhas decisões do dia a dia. Algumas coisas não são coincidência. Existe uma sincronicidade.
Christian Gebara/CEO da Vivo
La Nación Argentina O Globo Brasil El Mercurio Chile
El Tiempo Colombia La Nación Costa Rica La Prensa Gráfica El Salvador
El Universal México El Comercio Perú El Nuevo Dia Puerto Rico
Listin Diario República
Dominicana
El País Uruguay El Nacional Venezuela