Denise fraga: duas peças e dois filmes em 2025 " e lendo ‘o alienista’, de machado
Ufa! Este ano, a agenda de trabalho da atriz Denise Fraga tem sido vasta. Vamos por partes. No ...
Ufa! Este ano, a agenda de trabalho da atriz Denise Fraga tem sido vasta. Vamos por partes. No teatro, foram duas peças: "Eu de você" e "O que só sabemos juntos". Esta última " em parceria com Tony Ramos, que voltou ao palco depois de 20 anos " retorna ao Rio até amanhã, dia 30, no Teatro Riachuelo, após circular por São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Recife. Ao todo, cerca de 300 mil pessoas " ou quatro Maracanãs lotados, como eu gosto de comparar " assistiram aos dois espetáculos.
Quanto ao cinema, Denise Fraga volta às telas no dia 11 agora com "Livros restantes", de Marcia Paraíso. No filme, ela interpreta Ana Catarina, uma professora de Literatura que, após os 50 anos, decide dar uma guinada na vida. De malas prontas para Portugal, ela resolve se desfazer de quase tudo. No outro filme, "Sonhar com leões", a atriz interpreta Gilda, diagnosticada com um câncer terminal, que busca uma forma de morrer com dignidade.
"Quando a gente faz o que gosta, não quer descansar", explica Denise, 61 anos, carioca da Zona Norte, nascida em Lins de Vasconcelos, sobre sua extensa jornada de trabalho, na conversa com a repórter Fernanda Pontes, da turma da coluna. "O trabalho energiza", completa ela. E mais: avisa que tem vários projetos em mente para o futuro.
A exemplo da personagem de "Livros restantes", que na trama não consegue se desfazer de cinco livros, a atriz também tem seus xodós literários: "É difícil escolher só um, mas existem aqueles livros-chave. Eu carrego na mala de mão ‘Seus trinta melhores contos’, de Machado de Assis. Se ficar presa num aeroporto, tenho Machado para me salvar. São contos que a gente lê e relê sempre. Aconselho todo mundo a reler Machado na maturidade." Editado pela antiga Editora Aguilar, um dos 30 contos da coletânea é a obra-prima "O alienista", escrita em 1882. Ao narrar a história do Dr. Simão Bacamarte, que criou um hospício na fictícia vila de Itaguaí, o conto questiona quem realmente é louco neste mundo. Nada mais atual.
Já em relação à personagem do outro filme, "Sonhar com leões" " em que uma doente sem cura tenta uma forma de praticar a eutanásia ", Denise também não foge do assunto. "O filme tem um humor incômodo, que nos faz encarar nossa hipocrisia sobre o tema. No Brasil, a morte assistida nem é assunto ainda. Todo mundo tem direito à dignidade. Às vezes, a dignidade é poder escolher."
Nada mais foi dito ou perguntado. Afinal, a querida Denise tinha que voltar ao trabalho.