Jueves, 26 de Marzo de 2026

China teve maior superávit da história no ano do tarifaço

BrasilO Globo, Brasil 15 de enero de 2026

A China teve em 2025 o maior superávit comercial já registrado, de US$ 1,19 trilhão, alta de 20% ...

A China teve em 2025 o maior superávit comercial já registrado, de US$ 1,19 trilhão, alta de 20% em relação a 2024. O resultado foi impulsionado por forte expansão das exportações, apesar do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A China não registra déficit comercial desde 1993, e o superávit de 2025 supera amplamente todos os recordes globais anteriores, mesmo após o ajuste pela inflação. O saldo em bens manufaturados já ultrapassa 10% do PIB do país, gerando milhões de empregos na China, mas pressionando indústrias em outros países.
O desempenho anual global chinês revela que o país conseguiu compensar, de longe, a queda de 22% no superávit com os Estados Unidos. Fábricas chinesas ampliaram as vendas para outras regiões. Em outros casos, produtos destinados ao mercado americano passaram a ser enviados por meio do Sudeste Asiático e de outros países, estratégia que permitiu contornar as barreiras comerciais impostas por Washington.
Outro fator determinante para o avanço do superávit foi a fraqueza persistente das importações, que praticamente não variaram ao longo do ano. O consumo interno segue pressionado. Desde 2021, a crise no mercado imobiliário reduziu o patrimônio de milhões de famílias, afetando a demanda por carros importados, cosméticos e outros produtos, assim como o consumo de bens produzidos no país. Com menor capacidade de absorção do mercado interno, grande parte da produção acabou direcionada ao exterior.
Ao mesmo tempo, o governo chinês vem adotando uma política industrial para substituir compras externas por produção doméstica, com foco em ampliar a autossuficiência em setores estratégicos. A estratégia foi reafirmada em outubro, com a apresentação de um esboço do plano econômico quinquenal até 2030.
O superávit também foi favorecido por um câmbio mais fraco, que tornou os produtos chineses mais competitivos no exterior e encareceu as importações. Durante a pandemia de Covid-19, o governo permitiu que a moeda chinesa se desvalorizasse significativamente e, desde então, limitou sua recuperação, apesar de uma leve valorização recente. Enquanto a China enfrenta deflação, resultado do excesso de capacidade industrial e da demanda doméstica fraca, a inflação nos países ocidentais aumentou a atratividade das exportações chinesas.
ALERTA DO FMI
Recentemente, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou que a China deveria permitir a valorização de sua moeda e depender mais do consumo interno. Segundo ela, como segunda maior economia do mundo, o país é grande demais para sustentar crescimento apenas com exportações, sob risco de ampliar tensões comerciais globais.
Apesar do alerta, o governo em Pequim segue cauteloso em permitir uma valorização expressiva da moeda, já que os empregos nas fábricas exportadoras ajudam a mitigar os efeitos do estouro da bolha imobiliária e de uma forte queda dos preços dos imóveis.
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