Pf retoma hoje depoimentos do caso master
A Polícia Federal (PF) retoma hoje os depoimentos da Operação Compliance Zero, que apura ...
A Polícia Federal (PF) retoma hoje os depoimentos da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude em transações entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o Banco de Brasília (BRB), do governo do Distrito Federal. Oito investigados, entre ex-executivos dos dois bancos e de empresas envolvidas em operações investigadas, serão ouvidos hoje e amanhã.
Nos bastidores, a expectativa de envolvidos no processo e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), onde o inquérito da PF é supervisionado pelo ministro Dias Toffoli, é que as informações prestadas sejam decisivas para o futuro da apuração. Com a conclusão dos depoimentos e a análise de provas obtidas, será possível avaliar melhor a manutenção do caso na Corte ou sua devolução à primeira instância da Justiça Federal, que deu aval à primeira fase da operação.
Essa opção daria uma possível saída para Toffoli diante do incômodo no STF com sua condução do caso, sem que sejam anuladas medidas já tomadas. Toffoli decidiu levar a investigação para o STF após a PF ter apreendido numa busca um contrato de uma negociação imobiliária entre Vorcaro, e um deputado federal, que tem foro especial.
A investigação, no entanto, é focada nas ações e relações de Vorcaro, que coleciona contatos influentes em Brasília e chegou a ser preso na primeira fase da operação da PF. Os investigadores apuram os supostos crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na venda de carteiras de crédito falsas pelo Master ao BRB por pouco mais de R$ 12 bilhões.
Serão ouvidos hoje Dário Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário por trás da empresa que originou as carteiras vendidas pelo Master ao BRB; Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master. Na terça-feira, falam Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master; Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master.
Revelações incômodas
Em dezembro, Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa prestaram depoimentos, assim como o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino, que não é investigado. O banqueiro disse ter conversado sobre a venda do Master ao BRB com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que admitiu encontros, mas disse não ter tratado do assunto. A venda foi barrada pelo BC, que liquidou o Master em novembro de 2025, quando Vorcaro chegou a ser preso pela PF.
Toffoli chamou a atenção ao tomar decisões controversas na condução do caso, na opinião de juristas, como interferências no trabalho da PF, incluindo prazos curtos para depoimentos. O desconforto aumentou com a revelação de que o ministro viajou em um jatinho de um empresário para ver a final da Libertadores em Lima, na companhia do advogado de um dos executivos do Master investigados. Outro incômodo foi a descoberta de que o cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel " também investigado pela PF " estava por trás de um fundo de investimentos que foi sócio de uma empresa no nome de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá, às margens de uma represa no interior do Paraná.
Na semana passada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou um pedido para que levantasse a suspeição de Toffoli para conduzir o caso. Em seguida, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou uma nota em defesa da atuação do ministro.