Cdbs de bancos médios devem continuar populares em 2026
A "novela" do Banco Master, cujo capítulo mais recente teve como protagonista o Will Bank, acendeu ...
A "novela" do Banco Master, cujo capítulo mais recente teve como protagonista o Will Bank, acendeu um alerta no mercado de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) de bancos médios. Com a liquidação das instituições, investidores ficariam a ver navios, não fosse o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) " mas o caixa dele não é infinito. Especialistas avaliam, no entanto, que o caso não deve abalar a popularidade desses ativos: a demanda continuará alta, bem como a rentabilidade oferecida.
Todo cuidado, claro, continua sendo pouco.
Dados da B3 mostram que, em dezembro, o estoque total de CDBs chegou a R$ 2,6 trilhões. Três anos antes, no começo de 2023, esse estoque era de R$ 1,82 trilhão. Ou seja, houve crescimento de 43%.
Números do Banco Central (BC) mostram que esses produtos estão concentrados nos chamados "bancos múltiplos" " aqueles que reúnem diferentes carteiras, como comercial e de investimentos, ou seja, usados pelas pessoas no dia a dia da população.
A perspectiva de analistas é que essa indústria continue a se expandir e que as emissões sigam fortes este ano, inclusive entre os bancos médios.
" Continua sendo a principal forma de financiamento dessas instituições, e os pequenos e médios precisam oferecer rentabilidades acima dos grandes bancos para atrair investidores " afirma Guilherme Almeida, chefe de renda fixa da Suno Research.
Mas o escândalo do Master não vai esfriar a demanda por esses produtos?
Para Almeida, o efeito será deixar "o risco de imagem" na memória do investidor. No entanto, a existência do FGC, combinada às taxas elevadas que devem se manter, faz com que esses ativos continuem competitivos.
Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, concorda que, a partir do caso Master, muitos investidores perceberam que, se uma instituição oferece uma taxa muito alta, o risco também tende a ser elevado. Mas, para ela, apenas uma pequena parte das pessoas deixará de investir por causa disso:
" Tem uma primeira camada de pessoas que vai pensar duas vezes antes de investir em alguns produtos, mas não será a maioria. A maioria das pessoas sabia dos riscos do Master, olhou só para as taxas e fechou o olho pelo fato de existir a proteção do FGC.
O FGC protege... Será?
Analistas afirmam, porém, que as discussões para melhorar a indústria e o próprio FGC ganharam força. Para Almeida, da Suno, mesmo que um cenário de crise sistêmica seja remoto, o mercado percebeu que precisa estar atento ao futuro e a "caudas longas" " eventos raros, mas que podem ter impactos relevantes quando acontecem.
Já Marília afirma que "as regras do FGC têm que mudar":
" Não deveria ser garantido um retorno de 140% do CDI para quem investiu em título do Banco Master. Não acho que o FGC tem que pagar pela rentabilidade prometida. No final, os outros bancos, que abastecem o FGC, vão pagar a conta? Não faz sentido isso. No caso de liquidação extrajudicial, ele deveria pagar o equivalente a 100% do CDI ou IPCA e pronto.
O FGC garante os rendimentos até a data da liquidação da instituição. Quanto mais o processo de ressarcimento emperra, mais o ganho "encolhe". Por exemplo, um investidor que entrou em janeiro de 2025 num CDB do Master terá um retorno de 11,99% líquidos, que foi o quanto a aplicação rendeu até novembro. A partir daí, ela ficou "congelada".
O professor William Eid, do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV-CEF), cita uma questão comportamental. O brasileiro, diz, "continua ávido por ganhos", o que faz com que muitos investidores priorizem o retorno, mesmo diante de alertas de risco. Ele ressalta que é fundamental separar o joio do trigo:
" Tem que separar o Banco Master dos outros bancos médios que oferecem CDBs com retornos de 106% a 110% do CDI, o que é bastante razoável pelo porte deles. Quando você olha Itaú, Bradesco, é 100% do CDI. O Master oferecia muito, e se a esmola é demais o santo desconfia. Não vejo mais ninguém pagando 120%, 130% do CDI.
Outro ponto destacado por Eid diz respeito ao retorno efetivo de uma taxa de 110% do CDI e à percepção desse ganho pelo investidor. Segundo ele, "ninguém faz a conta", mas a diferença entre o valor que entrará no bolso do investidor que aplicou em um CDB que paga 107% do CDI e outro que paga 100%, ao final de um ano, é pequena:
" Se você tem milhões, tudo bem, muda. Se não, é muito pouco. Uma diferença que nem sempre justifica o risco adicional.
Para se prevenir, a saúde financeira do banco emissor merece uma boa análise. Um dos primeiros pontos a observar é se o banco tem receitas de empréstimo consistentes. Isso indica capacidade de gerar retorno " pode ter uma forte receita vinda de outros serviços, como cartões, tarifas e outras operações, mas é preciso verificar. Outro ponto de atenção é a eficiência no controle de despesas. Bancos que administram bem seus custos operacionais preservam margens maiores e, consequentemente, têm maior solidez.