Caf cresce com crédito, diversidade e apoio à integração regional
América Latina e Caribe
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou ontem na Cidade do Panamá, onde abrirá hoje o Fórum Econômico Internacional do CAF, Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe. O encontro contará com outros líderes da região e centenas de empresários, até amanhã, na capital panamenha. O Fórum acontece no momento em que o CAF tenta se posicionar como um dos principais instrumentos de articulação dos países da região. O objetivo do banco de fomento não é ser apenas um financiador, mas também um parceiro para a integração regional, com foco na sustentabilidade dos projetos e nas especificidades da diversidade cultural da América Latina.
O banco tem conseguido obter mais recursos no mercado de títulos e sua carteira de crédito soma US$ 45 bilhões em financiamentos a projetos na região nos últimos anos.
" O CAF tinha um papel menor na questão regional e uma capacidade de financiamento também menor. Ao longo dos últimos anos, o banco está se expandindo em função das necessidades crescentes da região por mais financiamento e também porque as demais instituições multilaterais, especialmente o Banco Mundial, mas também o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), estão um pouco pressionados frente às necessidades que se colocam na região " explica o economista Rogério Studart, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e ex-diretor-executivo no BID e no Banco Mundial.
Criado oficialmente em 1968, com o nome Corporação Andina de Fomento, o CAF era focado em promover a infraestrutura de países andinos. A partir da década de 1990, começou a receber novos sócios, e a participação acionária passou de 19 países em 2021 para 24 em 2025. Nos últimos anos, melhorou sua classificação junto às principais agências de risco e tem conseguido fazer mais captações no mercado privado, a um custo mais baixo. Em cinco anos foram US$ 25,3 bilhões em emissões, com prazo médio de 8,7 anos.
Para Ricardo Sennes, diretor da Prospectiva Public Affairs Latam, que acompanha a região, o CAF é "100% latino-americano, tem grau de investimento, captando muito barato".
" É a única experiência institucional de integração latino-americana que deu certo nos últimos 20 anos, que não só se manteve nesse período, como cresceu. E está crescendo no vácuo de desmonte e das outras instituições", afirma o economista.
Entre os US$ 45 bilhões da carteira de crédito, a instituição tem financiado projetos em áreas diversas, como transição energética, infraestrutura física e digital, bem-estar social inclusivo, indústria criativa, produtividade e internacionalização, com 40% sejam destinados a projetos verdes.
Studart lembra que o CAF tem papel de destaque no financiamento de projetos de infraestrutura e logística, saneamento básico e mobilidade urbana, enquanto, segundo ele, os demais bancos multilaterais se afastam de alguns projetos diante dos riscos envolvidos:
" O CAF sempre esteve ligado a esses projetos, nunca teve medo de assumir. Não me espanta que esteja ganhando mercado, porque são exatamente esses investimentos que estão fazendo falta por parte dos outros bancos de desenvolvimento.
Gilberto Braga, economista do Ibmec-RJ, diz que o CAF ganha importância diante da agenda unilateral defendida pelo presidente dos EUA, Donald Trump:
" O CAF é um lugar onde os EUA não têm direito de voto, não são membros. A gente observa que há um ambiente favorável ao princípio de conversações e de alinhamentos de pautas comuns da região.
O Fórum Econômico Internacional terá este ano a participação de sete chefes de Estado, dois vencedores do Prêmio Nobel e mais de 2.500 especialistas globais. Embora haja países com visões políticas divergentes, Braga vê espaço para uma agenda comum.
"Acho que espectros ideológicos diferentes podem dificultar o diálogo, mas a necessidade é premente. O realismo acaba se impondo à ideologia " diz Studart.
O Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe é uma realização do CAF com parceria de mídia do GLOBO e do Valor Econômico.
CAF NO BRASIL
No Brasil, o CAF financia projetos nos municípios, como modelo para toda a região. A projeção é que a carteira consolidada no país alcançou US$ 3,6 bilhões em 2025, alta de 11,5% em relação a 2024. É a quarta maior participação na carteira total do CAF e o segundo maior crescimento acumulado para o período 2021-2025, perdendo apenas para a Colômbia.
(Colaborou Cássia Almeida) (*Do Valor)