Economia criativa e desenvolvimento em foco
Incentivos fiscais, aferições de dados e descentralização da produção cultural são ...
Incentivos fiscais, aferições de dados e descentralização da produção cultural são caminhos que alguns países da América Latina e do Caribe estão adotando para desenvolver a economia criativa, a inclusão produtiva e a melhoria dos locais onde a vulnerabilidade social é maior. Os temas foram tratados no Festival Vozes Da Nossa Região, evento inicial das atividades do Fórum Econômico Internacional da América Latina e o Caribe, promovido pelo CAF, banco de fomento da região, que começa hoje no Panamá.
A abertura do festival contou com a presença da Prêmio Nobel da Paz de 1992, a ativista guatemalteca pelos direitos indígenas Rigoberta Menchú Tum. Um dos painéis mais concorridos foi de investimento cultural e desenvolvimento regional. Brasil, Uruguai, Costa Rica, Barbados e Panamá mostraram quais as políticas estão sendo mais efetivas para incentivar a economia criativa.
" A arte nos une e a cultura nos enriquece. Ela é o pilar fundamental do desenvolvimento sustentável da América Latina e o Caribe " afirmou a ministra da Cultura do Panamá, María Eugenia Herrera.
CENTRO DE DISSEMINAÇÃO
Segundo o presidente-executivo do CAF, Sérgio Díaz-Granado, o banco vai inaugurar um centro de operações que será um local de disseminação da cultura latino-americana e caribenha:
" Queremos fazer isso em Caracas, Bogotá, Lima, Quito, Buenos Aires, Montevidéu, Santiago, La Paz e no restante da América Central, na Costa Rica e em El Salvador.
A diretora Nacional de Cultura do Uruguai, María Eugenia Vidal, afirmou que o país está buscando aprofundar a coleta de dados culturais, tanto do ponto de vista da contribuição de cada setor para a economia quanto sobre o consumo pela população uruguaia. Segundo ela, a falta desses números foi sensível na pandemia de Covid-19, quando foi necessário o aporte de recursos públicos para amenizar os efeitos para setores afetados, como o cultural:
" Primeiramente estamos medindo cinco subsetores: audiovisual, música, editorial, artes cênicas e educação artística. Ao mesmo tempo, estamos encaminhando quatro pesquisas de consumo cultural, medindo a oferta e a demanda, o que estão ou não consumindo.
Pelo Brasil, a secretária de economia criativa do Ministério da Cultura, Claudia Sousa Leitão, destacou a política de "Territórios Criativos", que busca garantir o desenvolvimento sustentável de regiões que já têm um arranjo produtivo cultural. A intenção, segundo Claudia, é focar na estrutura produtiva, por meio de projetos financiados com recursos da Lei Rouanet, em média de dois a quatro anos.
" Não nos interessa apoiar somente o produto cultural, a festa, o festival, o filme, o livro. Interessa-nos apoiar os processos territoriais que envolvem a estruturação dos ecossistemas de criação, distribuição, comercialização, consumo, mercados, transmissão, memória.
Um dos projetos é o "Kariri Criativo", que promove a mobilização, qualificação e integração de agentes culturais, na Região Metropolitana do Cariri, no Ceará. O programa está estruturado em três dimensões: ecossistema criativo, que mapeia e articula a rede de agentes culturais; dinâmicas econômicas, que se baseiam em pesquisa e análise de dados para compreender o impacto e o potencial dos setores culturais e criativos, inclusive com avaliação do fluxo econômico; e gestão e governança.
A próxima iniciativa da secretaria é o lançamento do Observatório Brasileiro de Economia Criativa, que deverá acontecer em fevereiro, na Bahia.
O Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe é uma realização do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e tem parceria de mídia do GLOBO e do Valor Econômico.