Empresários aproveitam evento para buscar novos mercados
Com dez anos de experiência no comércio exterior, a Amazon Polpas tomou um susto em 2025. O ...
Com dez anos de experiência no comércio exterior, a Amazon Polpas tomou um susto em 2025. O tarifaço de 50% sobre produtos enviados aos EUA, seu principal comprador, ameaçava o faturamento da empresa que vende açaí. O presidente americano, Donald Trump, acabou recuando da taxação, e a exportadora paraense conseguiu, inclusive, aumentar a venda para os americanos.
Ontem, a Amazon Polpas se juntou a mais de 250 empresas de pequeno e médio porte da região em uma roda de negócios organizada pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), na capital panamenha.
" O tarifaço fez com que a direção da empresa investisse na cultura de negociações fora do país, em busca de novos compradores, para que não ficássemos presos só aos EUA " explica Julian Araújo, analista de Exportação da Amazon Polpas.
O evento, que termina hoje, promove um encontro "olho no olho" dos exportadores com cerca de 150 compradores da região que soma 33 países, incluindo também EUA, Alemanha, Canadá, Espanha e México.
Parceiro do CAF na iniciativa, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) selecionou 20 empresas brasileiras, entre cerca de 250 inscritas, para participar do encontro. Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, afirma que as rodadas são uma forma de criar oportunidades de curtíssimo prazo para os empresários, em meio às negociações entre os países:
" Enquanto decisões de governo e acordos às vezes levam tempo, nós trabalhamos para criar oportunidades no curtíssimo prazo.
Diretor do Consórcio Cabruca, que reúne 15 marcas de chocolate premium do Sul da Bahia, Thiago Fernandes espera fechar R$ 100 mil em negócios a partir dos encontros proporcionados pelo evento. O baiano marcou cerca de 15 reuniões com potenciais compradores de diferentes países do continente americano e do Caribe.
" Por que que nós decidimos criar o consórcio? Primeiro, queríamos injetar dólares para as pessoas da região. Segundo, para diminuir os atravessadores, os traders. Então, aqui é uma relação direta do produtor com o comprador " explicou o diretor do Consórcio, que já exporta chocolate para o Chile.
DIVERSIFICAR RELAÇÕES
A Pajuçara Alimentos é outra empresa brasileira que almeja obter novos clientes na rodada de negócios. Após 50 anos de história, a indústria de massas e biscoitos de Maceió (AL) começou a exportar seus produtos em 2025, com destino ao México, e tem como foco ampliar sua presença para outros países da América Latina.
Constanza, da CNI, afirma que, em um cenário global hostil de maior protecionismo, como é o caso da atuação dos EUA, a indústria brasileira entende que a diversificação das relações econômicas é mais urgente e precisa começar pela vizinhança.
Apesar de importante, o comércio na região tem crescido em ritmo menor do que o intercâmbio para fora. Segundo Constanza , há três gargalos principais para o crescimento do comércio intrarregional: acordos comerciais defasados ou limitados; integração física e de infraestrutura; e diplomacia empresarial.