Sábado, 31 de Enero de 2026

As apostas da maior livraria do país no duelo com a amazon

BrasilO Globo, Brasil 31 de enero de 2026

A Leitura bateu seu primeiro bilhão em vendas em 2025 graças a um livro que ninguém leu. A ...

A Leitura bateu seu primeiro bilhão em vendas em 2025 graças a um livro que ninguém leu. A maior rede de livrarias do país vendeu pelo menos 900 mil exemplares de "Bobbie Goods" e afins no ano passado. Sozinha, a onda dos livrinhos de colorir movimentou mais de R$ 30 milhões na Leitura e impulsionou o crescimento de 15% nas vendas registrado pela rede no ano. Agora que o fenômeno murchou, a livraria da família Teles aposta em outro passatempo pouco literário para perseguir crescimento ainda mais agressivo em 2026.
" Com o enxugamento das bancas, nós nos tornamos a maior vendedora de figurinhas do Brasil. Como é ano de Copa e o torneio será ainda maior do que nas edições anteriores, projetamos que o álbum de figurinhas da Fifa proporcione, sozinho, um crescimento de 12%. É algo não recorrente, claro, mas vai permitir que a gente cresça em 25% as vendas totais no ano " projeta o CEO Marcus Teles.
Teles não abre os dados exatos sobre o volume total de vendas, mas a coluna estimou que a cifra atingiu a casa do bilhão com base nos números divulgados sobre 2024 e sobre o peso dos livros de colorir no resultado total.
Se fenômenos fora do ambiente editorial são catalisadores, a Leitura vem sustentando seu crescimento em espaço livreiro por excelência: livrarias físicas, daquelas com corredores de estantes e cafezinho. A rede terminou 2025 com 133 unidades Brasil afora, 12 a mais que no começo do ano. Antes da pandemia, eram pouco mais de 70 lojas. Parte da expansão se deveu ao ocaso de Saraiva e Cultura, que deixou esquinas de prestígio e shoppings órfãos de livrarias. Este ano, o plano é chegar a 143 lojas.
A rede vendeu no ano passado mais de 14 milhões de livros, que responderam por 63% do faturamento. Além de "Bobbie Goods", os campeões de venda são mangás e obras infantojuvenis.
" Os jovens adoram livro físico porque já passam o dia inteiro olhando pro celular " explica Teles, cujo irmão Elídio fundou a Leitura em Belo Horizonte há 59 anos. " As livrarias físicas estão se recuperando, mas vêm de um baque forte. É possível que nosso ritmo diminua daqui para a frente, mas, enquanto houver cidades com mais de 250 mil habitantes sendo mal atendidas, sem uma livraria com mais de cem metros quadrados, há espaço para continuar expandindo. A classe C também compra livro, só não tem o hábito.
Além de mirar cidades pouco atendidas, Teles também diz fugir de disputas desnecessárias. Não entrou até hoje no Paraná por causa do vigor da tradicional Livrarias Curitiba, que tem 14 lojas só naquele estado. A Leitura também adere a uma filosofia própria de gestão. Todo ano, por exemplo, obriga-se a fechar uma loja " a de pior resultado. Teles também diz ser avesso a qualquer contração de dívida.
" Nesse ramo, quem não fez bobagem e manteve o pé no chão, sem dívida, cresce. Não dá para ir atrás de concorrente on-line que vende livro com prejuízo. Não somos contra a concorrência, mas contra monopólio " diz.
O alvo da crítica de Teles é a Amazon, que se tornou dominante na venda de livros no Brasil e cujo modelo de preços agressivos o dono da Leitura classifica de "concorrência desleal". Não à toa, a Leitura " que se posiciona como segunda maior vendedora de livros na internet, atrás da Amazon " não vende livros na plataforma de Jeff Bezos, mas é atuante nos marketplaces de Shopee e Mercado Livre. É justamente a boa relação com o Meli que faz com que Teles enxergue como positiva a recente entrada do gigante na venda direta de livros (antes, a plataforma só fazia a intermediação da venda por livrarias e editoras):
" Não é uma ameaça para a gente. Pelo contrário, vai afetar justamente a concorrente que vende muito no virtual. Vão dividir o mercado entre eles.
Para Teles, a única saída contra a concorrência desleal é a lei do preço fixo, que limita descontos em novas obras. O mecanismo já funciona em vários países e, no Brasil, tramita no Congresso com o nome de Lei Cortez:
" Vai demorar mais alguns anos para passar no Congresso, mas vai acontecer. Só quem não conhece a lei é contra. Ela foi um instrumento fundamental para sustentar um mercado de livros em países avançados, como França e Japão.
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