Correios reabrem pdv para desligar 10 mil empregados
Os Correios vão reabrir na próxima semana as inscrições para seu Plano de Desligamento ...
Os Correios vão reabrir na próxima semana as inscrições para seu Plano de Desligamento Voluntário (PDV), uma das medidas previstas no plano de reestruturação financeira da estatal. A previsão é desligar 10 mil funcionários até o fim deste ano e mais 5 mil em 2027.
No total, com 15 mil funcionários a menos, os Correios estimam uma economia de R$ 2,1 bilhões anuais com os desligamentos.
A participação no programa é voluntária. Segundo os Correios, na edição de 2026 do PDV, as inscrições ficarão abertas até 31 de março. Os desligamentos serão concluídos até o fim de maio.
A estatal anunciou ontem as regras de participação em comunicado interno aos funcionários. São elegíveis os empregados que tenham, no mínimo, dez anos de casa e que tenham menos de 75 anos até a data do desligamento.
Outra medida de gestão de pessoal é a revisão de planos de saúde, que poderá levar a uma economia de R$ 700 milhões, segundo os Correios.
Apesar disso, ao anunciar a reabertura do PDV, a estatal anunciou uma mudança em relação às condições de 2025: "ex-empregados, empregados e seus dependentes poderão optar pelo Plano de Saúde Família, com mensalidades mais acessíveis e cobertura regional".
A medida mais urgente do plano de reestruturação dos Correios é a concessão de um empréstimo de R$ 12 bilhões com um grupo de cinco bancos " Bradesco, Itaú, Santander, Caixa e Banco do Brasil ", para fazer frente a compromissos financeiros no curto prazo. No fim do ano passado, os Correios desembolsaram R$ 10 bilhões do valor. Os outros R$ 2 bilhões ficaram para este ano, mas há previsão de tomar mais um empréstimo de R$ 8 bilhões até dezembro.
Além disso, o plano de reestruturação detalhado em dezembro passado prevê mais um empréstimo, de R$ 4,4 bilhões, a ser tomado com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), conhecido como o "Banco dos Brics". Esses recursos chegariam entre 2027 e 2030, para financiar exclusivamente investimentos em infraestrutura de tecnologia e veículos.
prejuízo se mantém
No lado de novas receitas, o plano prevê a venda de imóveis e ativos, com a projeção de levantar de R$ 1,5 bilhão no total. No lado da contenção de despesas, além do PDV, prevê o fechamento de mil agências. Com a medida, os Correios esperam economizar mais R$ 2,1 bilhões por ano.
Mesmo com as medidas de ajuste, a tendência é que haja um prejuízo ainda maior este ano, segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon. A estatal só deverá voltar a dar lucro a partir de 2027. Atualmente, a empresa enfrenta um déficit estrutural de mais de R$ 4 bilhões anuais por causa do cumprimento da universalização do serviço postal em locais remotos.