Governo trump convida brasil para coalizão de terras-raras
O governo dos Estados Unidos convidou o Brasil a integrar uma nova coalizão internacional voltada ...
O governo dos Estados Unidos convidou o Brasil a integrar uma nova coalizão internacional voltada ao fornecimento, à mineração e ao refino de minerais críticos. A proposta apresentada por Washington envolve parcerias para garantir o acesso a insumos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras-raras, além da criação de mecanismos de preço mínimo, para dar maior previsibilidade ao mercado e reduzir a volatilidade.
A informação foi confirmada por integrantes do governo brasileiro. Um interlocutor com acesso às tratativas afirmou, no entanto, que, neste momento, o governo Lula ainda reúne elementos técnicos e políticos para avaliar o alcance do convite e suas implicações estratégicas.
O movimento está associado ao chamado Projeto Caixa-Forte, anunciado esta semana pelo presidente americano, Donald Trump. O objetivo é formar uma reserva estratégica de terras-raras e outros minerais considerados essenciais. A iniciativa se insere em um contexto geopolítico mais amplo, marcado pela tentativa dos EUA de reduzir o peso da China, que hoje domina tanto a mineração como o refino mundial desses minerais.
País quer cadeia de valor
Em Brasília, a abordagem tem sido cautelosa. O governo brasileiro enfatiza a recusa ao papel de mero exportador de matérias-primas brutas e sustenta que qualquer acordo nesse campo deve estar associado ao desenvolvimento da cadeia de valor no país, com investimentos em refino, beneficiamento e agregação de valor à produção interna.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo americano trabalha para formar uma ampla coalizão internacional nessa área. Segundo ele, a iniciativa envolve atualmente 54 países e a União Europeia (UE) e permanece aberta à adesão de novos integrantes. Ontem foram fechados acordos com UE, Japão e México (leia mais abaixo).
" Um competidor estrangeiro entra no mercado, reduz artificialmente os preços por meio de subsídios estatais e torna o investimento privado economicamente inviável " afirmou Rubio, observando que o mesmo fenômeno ocorre na etapa de processamento, o que afasta investidores e reforça a dependência global.
Em nenhum momento de seu discurso, ontem, o secretário de Estado americano citou nominalmente o Brasil. Mas o interesse de Trump na aquisição de minerais críticos e estratégicos é acompanhado com atenção pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo setor de mineração brasileiro.
Ao adotar uma estratégia agressiva sobre o tema, o republicano já ameaçou tomar a Groenlândia da Dinamarca e tenta pressionar a Ucrânia, em guerra contra a Rússia, a ceder direitos de exploração mineral.
Dos 51 produtos dessa área importados pelos EUA, o Brasil possui reservas de diversos minerais relevantes, como cobre, lítio, silício e terras-raras. Esses insumos são considerados fundamentais para o desenvolvimento econômico e tecnológico.
O nióbio, por exemplo, é essencial para a indústria siderúrgica, viabilizando ligas leves e resistentes de aços avançados, além de aplicações em materiais magnéticos e supercondutores. O lítio é estratégico para o armazenamento de energia em baterias usadas em carros, aviões e celulares, além de tecnologia nuclear. O silício é insumo-chave para semicondutores e células solares.