Stellantis ‘derrapa’ com carros elétricos e ações despencam 25%
As ações da Stellantis despencaram ontem 25% na Bolsa de Milão após a gigante dos setor ...
As ações da Stellantis despencaram ontem 25% na Bolsa de Milão após a gigante dos setor automotivo, dona de Fiat Chrysler, Jeep e Peugeot, reportar encargos e baixa contábil de € 22 bilhões (R$ 136,5 bilhões) como parte de uma guinada estratégica por ter superestimado sua aposta em carros elétricos, cuja demanda ficou abaixo do esperado.
A empresa " que não pagará dividendos este ano " não é a primeira a relatar perdas nos últimos meses pela "derrapada" na aposta em carros elétricos. Ford (US$ 19,5 bilhões), General Motos (US$ 7,6 bilhões) e Porsche também fizeram movimentos semelhantes. Tarifas dos EUA à Europa, demanda mais lenta na China e concorrência de fabricantes chineses de elétricos mais baratos colocaram em cheque a estratégia das montadoras tradicionais. Elas estão tendo de lidar com uma adoção de veículos elétricos mais lenta do que o esperado, particularmente no mercado americano, onde Donald Trump retirou subsídios aos compradores.
Algumas das fabricantes tradicionais estão voltando aos motores a combustão, o que exige programas de reestruturação caros. O CEO da Stellantis, Antonio Filosa, culpou o antecessor Carlos Tavares por apostar tudo nos veículos elétricos, não reagir às mudanças do mercado e ter perdido contato com "o mundo real" dos motoristas.
"Estamos pagando o preço de ter superestimado o ritmo da transição energética e tivemos o impacto de uma execução operacional ruim no passado", disse Filosa em comunicado.
O executivo, que assumiu o cargo em junho, tenta reformular a empresa e, ao mesmo tempo, mitigar o aumento dos custos provocado pelas tarifas de Trump. O anúncio feito ontem visa ajudar a companhia a deixar para trás um período turbulento de forte queda de lucros e vendas na Europa e nos, EUA decorrentes da resistência dos consumidores a aumentos de preços, lacunas no portfólio da Stellantis e até problemas de qualidade. Tavares havia prometido vender apenas veículos elétricos na Europa e atingir 50% de vendas de elétricos nos EUA até 2030 " metas das quais a empresa recuou pouco depois de sua saída, no fim de 2024.
DE SAÍDA DAS BATERIAS
Como parte da reformulação, Filosa prometeu investir US$ 13 bilhões nos EUA, onde a empresa adiou lançamentos de veículos elétricos e trouxe de volta motores V8 a gasolina para revitalizar a marca de picapes Ram. Também vem reduzindo preços para recuperar participação de mercado.
A montadora também está ajustando sua estrutura de fabricação de baterias para refletir a menor demanda. Filosa cancelou uma joint venture planejada para hidrogênio e está deixando uma parceria no Canadá com a sul-coreana LG Energy Solution, na qual ia investir US$ 3,7 bilhões numa fábrica de baterias em larga escala.