México: morte de chefe de cartel causa onda de terror
O Exército mexicano anunciou ontem que matou o poderoso chefe do narcotráfico Nemesio ...
O Exército mexicano anunciou ontem que matou o poderoso chefe do narcotráfico Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", líder do cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), em uma violenta operação que provocou retaliações em ao menos oito estados com bloqueios de estradas e queima de veículos, lojas e bancos. Além disso, dezenas de voos e três partidas de campeonatos de futebol foram cancelados, e escolas em nove estados suspenderam as aulas hoje. A operação foi o maior golpe no narcotráfico na História recente do México e para vários analistas, também a vitória mais importante da presidente Claudia Sheinbaum em seu mandato.
Ex-policial de 59 anos, Oseguera era apontado como o principal líder do CJNG " organização criminosa que leva o nome do estado onde fica Guadalajara, a segunda maior cidade do México " e um dos chefes mais procurados pelo México e pelos EUA, que ofereciam uma recompensa de US$ 15 milhões (R$ 78 milhões) por informações que levassem a seu paradeiro. Em poucos anos, o grupo expandiu suas atividades para diferentes regiões do país e do continente, tornando-se um dos mais poderosos do tráfico de drogas e rivalizando com o Cartel de Sinaloa, fundado por Joaquín "El Chapo" Guzmán, atualmente preso nos EUA.
O Exército informou em comunicado que "El Mencho" ficou ferido em um confronto com militares na localidade de Tapalpa e morreu "durante seu traslado por via aérea à Cidade do México". As autoridades militares acrescentaram que, para a execução da operação, "além dos trabalhos de inteligência militar central", "contou-se com informações complementares" por parte das autoridades americanas.
alerta contra euforia
No total, sete criminosos morreram e três militares ficaram feridos. Dois integrantes do CJNG foram detidos e foram apreendidos, entre outros tipos de armamento, lança-foguetes capazes de derrubar aeronaves e destruir veículos blindados. A presidente Claudia Sheinbaum pediu calma em comunicado na rede social X e disse que a maior parte do país segue em "plena normalidade".
"Existe absoluta coordenação com governos de todos os estados; devemos nos manter informados e em calma", disse ela, que completou: "Trabalhamos todos os dias pela paz, a segurança, a justiça e o bem-estar do México."
Para o colunista político Raúl Rodríguez Cortez, do jornal El Universal, a morte de "El Mencho" é "um severo golpe no narcotráfico e um êxito, o maior nesse campo, para o governo de Sheinbaum e para o bem do país, não para satisfazer as pressões de Trump".
Por sua vez, o especialista em segurança Carlos Seoane alertou em artigo no El Universal que a morte do chefe narcotraficante abre a possibilidade de uma guerra interna pelo poder no cartel mexicano e também de uma investida de outros grupos para tentar ocupar espaços do CJNG. Ele ressalta que "o crime organizado não se derrota com uma morte" e afirma que "o sucesso da operação se medirá pelo que ocorrerá nos próximos meses". "Se houver redução sustentada da violência, fortalecimento institucional e controle territorial, falamos de autoridade real. Se só houver espetáculo táctico, falamos de administração do conflito."
Segundo o governador de Jalisco, Pablo Lemus Navarro, a ação provocou confrontos e desencadeou episódios de violência em outras áreas da região, com grupos armados incendiando veículos e bloqueando estradas para dificultar o avanço das forças da lei. As ações causaram transtornos em diferentes pontos do estado.
Houve queima de ônibus e bloqueios em estrada em oito estados, e pelo menos duas sucursais de bancos e uma loja foram incendiadas. Vários terminais rodoviários no estado de Guanajuato suspenderam as operações, e houve pânico no aeroporto de Guadalajara por relatos, desmentidos pelas autoridades posteriormente, de ações criminosas no local. Ainda assim, várias companhias americanas e canadenses cancelaram voos para a cidade e para Puerto Vallarta, balneário turístico de grande procura por turistas estrangeiros.
Também foram canceladas três partidas de futebol dos campeonatos de primeira e segunda divisão e uma do campeonato feminino. As polícias de vários estados, o Exército e a Guarda Nacional reforçaram as operações nas estradas.
pressão de trump
A morte de "El Mencho" ocorre em meio à pressão do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, para que o México freie o envio de drogas, especialmente fentanil, para seu país. Trump vem inclusive ameaçando realizar operações militares contra o narcotráfico dentro do território mexicano. Ontem, Washington aplaudiu a operação que matou o narcotraficante.
"Este é um grande marco para o México, os Estados Unidos, a América Latina e o mundo (...). Os bons somos mais do que os maus. Parabéns às forças da lei da grande nação mexicana", disse na rede X Christopher Landau, subsecretário de Estado americano. O departamento emitiu um alerta para que cidadãos americanos no México se abriguem até que passe a onda de violência.