Miércoles, 25 de Febrero de 2026

Azul e american airlines terão acordo para compartilhar voos

BrasilO Globo, Brasil 24 de febrero de 2026

A Azul Linhas Aéreas, que concluiu seu processo de recuperação judicial na semana passada, ...

A Azul Linhas Aéreas, que concluiu seu processo de recuperação judicial na semana passada, elabora um acordo de code share (compartilhamento de voos) com a American Airlines, nos mesmos moldes do que ela já mantém com a United Airlines. Essa parceria operacional seria o próximo passo depois que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade, órgão que regula a concorrência) der seu aval ao investimento da American Airlines na companhia.
Como parte do seu processo de reestruturação, a Azul ampliou sua parceria com a United, que acertou investir US$ 100 milhões na empresa e ampliar sua fatia para 8% do capital. Em outra frente, a American Arlines entraria como acionista ao investir o mesmo valor e garantir 8% do capital. Este aporte, porém, ainda depende da aprovação do Cade. Ao longo da reestruturação, a Azul garantiu cerca de US$ 1,6 bilhão em financiamento junto a credores.
Essa reorganização faz parte de um plano mais amplo anunciado em 2024 para reestruturar parcerias comerciais e financeiras, com potencial de até US$ 950 milhões em investimentos. O objetivo principal do pedido de recuperação judicial nos EUA foi reduzir aproximadamente US$ 2 bilhões em dívidas financiadas no país.
O processo envolveu negociações com os principais credores da Azul, incluindo detentores de títulos de dívida emitidos no mercado internacional, a arrendadora de aeronaves AerCap e investidores estratégicos internacionais.
Reavaliar operações
O CEO da Azul, John Rodgerson, disse que a companhia pretende reavaliar operações encerradas em 14 cidades durante o processo de reestruturação. Na época, a empresa havia informado, em comunicado, que os cortes faziam parte de uma revisão de suas operações para ajustar a malha aérea à demanda de passageiros. Segundo o executivo, o fechamento de bases foi necessário para recompor a saúde financeira da empresa.
" Fechamos várias bases no ano passado, mas nós somos maiores do que éramos em 2025. Sempre vamos buscar mercados onde temos mais rentabilidade. O que estava acontecendo é que nossa paciência com mercado não rentável era mínima. Tivemos de reconstruir nosso balanço. Sim, vamos olhar de volta para alguns mercados " disse Rodgerson em coletiva ontem.
A Azul anunciou na sexta-feira a conclusão de sua reestruturação financeira e a saída do Chapter 11 da Lei de Falências dos EUA, mecanismo equivalente à recuperação judicial. A empresa se tornou a companhia aérea brasileira que permaneceu menos tempo em reestruturação: apenas nove meses. A Latam levou mais de dois anos, e a Gol, cerca de um ano.
A saída do processo foi reconhecida após a empresa cumprir todas as condições previstas em seu plano de reorganização. Entre elas estavam o pagamento integral do financiamento obtido durante a recuperação judicial (DIP financing) e a liquidação da oferta pública de ações.
" O processo foi rápido porque sabíamos exatamente o que queríamos fazer. Tivemos metas ao entrar, e essas metas foram alcançadas muito rapidamente. E não tivemos disputa. Isso é outra coisa que é interessante. Normalmente, há várias disputas entre credores " disse Rodgerson.
Como resultado, a empresa reduziu cerca de US$ 1,1 bilhão em empréstimos e financiamentos e cortou quase 40% da dívida relacionada ao arrendamento de aeronaves. Também houve queda superior a 50% nos pagamentos anuais de juros. Com a conclusão do plano, o capital social da Azul foi a R$ 21,76 bilhões.
Por conta do novo cenário, o CEO descartou fusões e aquisições. Em setembro passado, a Abra, controladora da Gol, informou ao mercado que havia desistido de uma possível combinação com a Azul, o que havia sido aventado em um memorando de entendimentos assinado pelas duas empresas em 15 de janeiro de 2025.
" Isso era uma opção antes de entrar, como solução dos mesmos problemas. Quando você acumula um monte de dívida, a fusão pode ser benéfica como uma saída diferente. Ao entrar, não há necessidade. A gente não precisa. No nosso balanço, saímos muito menos alavancados do que quando nossos concorrentes saíram (da recuperação judicial). Eu não vejo isso como alguma coisa que está na mesa " disse Rodgerson.
A Azul tem atualmente 175 aeronaves em funcionamento e deve receber dois novos aviões da Airbus até o fim do ano. O executivo disse também que a empresa vai focar em "crescer com responsabilidade":
" Nós estamos recebendo mais ou menos de cinco a dez aeronaves em um ano. Houve anos que recebemos mais do que 20 aeronaves. Quando você tem mais do que 20 aeronaves, você vai entrar em alguns mercados e não vai dar certo. Nós podemos escolher melhor onde nós podemos alocar nossos recursos. Isso é uma coisa que é importante para nós. Quando você tem 20 aeronaves chegando a qualquer momento, você vai alocando.
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