Jornada menor pode custar ao varejo r$ 122 bilhões
A redução da jornada de trabalho máxima permitida em lei de 44 horas por semana, hoje, ...
A redução da jornada de trabalho máxima permitida em lei de 44 horas por semana, hoje, para 40 horas semanais, com o fim da jornada 6x1 " seis dias de trabalho para um de folga " poderá resultar em um custo contábil de R$ 122,4 bilhões ao mês para as empresas do comércio, estima um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgado ontem durante debate promovido pela entidade. Esse valor é o que recai apenas sobre os empregadores, mas que pode ser repassado para os consumidores. Os custos maiores com salários poderiam implicar aumento de 13% nos preços ao consumidor final.
Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a redução da jornada precisa ser acompanhada por um aumento da produtividade, para gerar maior bem-estar aos trabalhadores sem efeitos colaterais negativos. Preocupados com a elevação de custos para o empresariado, os presidentes do PL, Valdemar da Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, sugeriram ontem barrar as propostas de mudança antes de votar no Congresso.
A estimativa de aumento de custos da CNC, com base em dados do IBGE, considera que, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 93% dos trabalhadores do comércio do país já têm jornada de mais de 40 horas semanais. Segundo os cálculos de Bentes, os empregadores teriam que contratar mais 986 mil trabalhadores para não reduzir os dias e horários de funcionamento dos estabelecimentos comerciais. No entanto, a escassez de mão de obra e o maior custo com salários preocupam.
" Se dou um choque no custo do comerciante, ele vai repassar para o preço " disse Bentes. " Seria uma geração de empregos a um custo maior, num ambiente de escassez de mão de obra no comércio.
A redução da jornada está na proposta de emenda à Constituição (PEC) 8/2025, da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe 36 horas por semana, distribuídas em quatro dias, sem redução salarial. Também está sendo discutida uma ideia de redução gradual para 40 horas, com período de transição e compensação econômica, do deputado federal Luís Gastão (PSD-CE).
Em jantar com empresários, promovido pelo Esfera Brasil, Costa Neto e Rueda admitiram que é alta a chance da aprovação do fim da escala 6x1 no Congresso. Ao se posicionarem contra as mudanças, ambos líderes partidários foram aplaudidos por empresários. Rueda afirmou que tem uma "posição pessoal" contra porque a redução de jornada "vai onerar o setor produtivo e gerar inflação":
" É uma posição muito cruel para quem está disputando uma reeleição ou um outro mandato. A gente tem que ter inteligência e segurar que essa votação vá para o Plenário, porque se for a Plenário, vai ser avassaladora (a aprovação).
13%
De aumento nos preços ao consumidor final
Esse pode ser outro efeito colateral da redução da jornada sem aumento da produtividade