Plano com mounjaro e foco no networking, a nova receita ‘fit’
Com mensalidade de R$ 4,5 mil, a rede de academias de luxo SIX inaugurou no sábado a ...
Com mensalidade de R$ 4,5 mil, a rede de academias de luxo SIX inaugurou no sábado a segunda unidade em São Paulo, na Vila Nova Conceição, a cem metros do Parque Ibirapuera. O empreendimento custou R$ 20 milhões e funciona como um clube privado de bem-estar e relacionamento, onde os treinos dividem a agenda com reuniões, encontros e conversas de negócios. A rede tem planos de chegar ao Rio em 2027.
A abertura ocorre em meio à expansão do mercado de academias de luxo, movimento que ganha força à medida que as redes tradicionais se tornam mais acessíveis com a popularização de plataformas como Wellhub e TotalPass. Ainda assim, a SIX é a mais cara entre elas. Mais do que oferecer serviços e conveniência, essas academias apostam na "curadoria de público" e em um ecossistema em que a rede de contatos pesa tanto quanto os aparelhos de última geração.
" Muito mais do que uma academia, é uma comunidade. O que faz diferença não é o valor, mas o ambiente e as pessoas que frequentam: quem você quer ver e quem você quer que te veja " diz Roberto Kanter, professor de MBAs da FGV.
Com 1.500 m² e capacidade para 400 membros (número similar ao de outras academias de nicho), a unidade aposta na limitação de alunos para preservar a exclusividade. Somente as aulas exigem agendamento. A meta é, fora dos horários de pico, manter um professor por cliente, e no máximo um profissional para cada três alunos.
" Com 400 membros, é possível aprender o nome das pessoas. Quem atende em academias normalmente não sabe seu nome, seus gostos. Queremos proporcionar uma experiência igual a de um hotel cinco estrelas " afirma Leandro Vaz, um dos sócios-fundadores da SIX.
Assinatura de R$ 99 mil
A nova SIX é a única academia da América Latina com a linha Artis Luxury da Technogym na cor Sand Stone. Apenas a escolha desse modelo, com detalhes em madeira, aumentou em R$ 2 milhões o custo. Logo na entrada, a unidade oferece prateleiras com rótulos comercializados pela empresa Vinhos do Mundo a preço de distribuição. Entre eles estão garrafas da Vik, Bacalhôa, Don Guerino e um Almaviva 2022 anunciado a R$ 1.650.
No térreo, o ambiente é compacto: duas bikes, dois aparelhos de transport, duas escadas e seis esteiras. Todos podem ser integrados a uma pulseira inteligente da Technogym, entregue aos alunos na matrícula e usada para armazenar o histórico de treinos. Nos fundos, há um bar de drinques saudáveis e uma área de coworking. A academia oferece água aromatizada com intensidade ajustável, serviço de passadoria, brinquedoteca com recreadora e salão de beleza.
Em todos os andares, há balança de bioimpedância, geladeiras abastecidas, panos gelados, máquinas de café, whey, gomas de glutamina e outros suplementos. São dois pavimentos dedicados à musculação; em um deles ficam a sala de bike e a de aulas coletivas. No último andar, há quadra de beach tennis e rooftop.
Além da academia, a SIX oferece um programa de assinatura, que inclui suplementos, acompanhamento com médico, nutricionista, psicólogo e fisioterapeuta, além de concierge para agendamentos e comunicação entre os profissionais. O plano pode incluir o medicamento Mounjaro e chega a custar R$ 99 mil por ano. Há opção trimestral para quem busca resultados rápidos. Embora outras academias ofereçam pacotes semelhantes, costumam ser formatos mais restritos.
‘Mordomos da saúde’
O avanço de academias que se posicionam como centros de "bem-estar e relacionamento" está ligado a uma transformação do mercado. Segundo a pesquisa Panorama Setorial da Fitness Brasil, com base em dados do Conselho Federal de Educação Física, o número de centros de atividades físicas no país quase triplicou em uma década: saltou de 22.581 empresas, em 2015, para 62.718 em julho de 2025.
" Quando você aumenta a base, naturalmente sobe o topo da pirâmide. Esse movimento de academias com mais do que um personal, com "mordomos da saúde", é a tendência normal para um mercado cuja base aumentou " diz Kanter.
Como outras academias desse nicho, a SIX foca na experiência. Segundo Eilson Studart, outro sócio-fundador, o ambiente prolonga a permanência dos alunos, que no fim de semana pode chegar a quatro horas.
Vaz complementa:
" Ouvimos muito que lá é tão legal que as pessoas até malham. Tem pessoas que permanecem uma, duas horas, e não treinam. Encontram um amigo, conversam, comem algo, se arrumam e fazem o cabelo. Saem muitos negócios da sauna.
Os planos da SIX variam entre R$ 4.500 no mensal e R$ 3 mil no contrato de 15 meses. O day use custa R$ 800. Até agora, 30% das 400 vagas foram preenchidas. Nesse nicho de luxo, a SIX se posiciona acima das rivais em preço. A Les Cinq, nos Jardins, cobra R$ 4 mil por mês no plano mais caro e tem 680 membros, com a promessa de um professor para cada três alunos. A unidade mais cara da Bodytech, no Shopping Iguatemi, na Faria Lima, tem mensalidades de até R$ 2.389 e inclui equipe de nutricionistas e fisioterapeutas.
Na divulgação da unidade, a empresa escolheu dez personalidades do bairro (entre médicos, empresários e advogados) para atuarem como embaixadores da marca.
A empresa pretende chegar a 15 unidades em funcionamento até 2028. Outros endereços em São Paulo estão no radar, como Jardim América. Em Alphaville, onde uma unidade já foi contratada, há possibilidade de incluir heliponto. A empresa planeja operações no Rio ( na Zona Sul ou na Barra), Curitiba e Belo Horizonte em 2027.