Aplicativo de delivery chinês keeta adia entrada no rio
Recém-chegada ao Brasil, a Keeta, do grupo chinês Meituan, maior empresa de delivery do mundo, ...
Recém-chegada ao Brasil, a Keeta, do grupo chinês Meituan, maior empresa de delivery do mundo, decidiu adiar sua entrada no mercado de delivery de refeições no Rio. A previsão era começar a operar na cidade em março, mas a companhia argumenta que os contratos de exclusividade firmados por concorrentes, como o iFood, com os restaurantes, limitam novos entrantes no mercado, já que inviabilizam o cadastro de estabelecimentos nas plataformas.
Não há nova data no horizonte para o início da operação. A decisão afeta todo o planejamento da Keeta, que projetava chegar, até junho, a 15 regiões metropolitanas " incluindo Belo Horizonte, Brasília, Recife e Fortaleza " e alcançar mil cidades até o fim do ano.
O CEO da Keeta, Tony Qiu, estima que há no Brasil mais de 800 redes de restaurantes com mais de cinco lojas, mas que mais da metade dessas redes está "bloqueada" por contratos exclusivos firmados com concorrentes:
" Vamos focar em resolver esse problema. Esses contratos foram firmados antes de começarmos a operar, o que nos impede de trabalhar com os estabelecimentos.
Ao GLOBO, Qiu admitiu que achava que seria mais fácil operar no mercado brasileiro de delivery de comida. Mas se surpreendeu com o tamanho do desafio de fazer frente ao iFood, que hoje domina 80% do setor.
" Sabemos que o Brasil é complexo porque é um mercado grande, e estávamos cientes de algumas situações de exclusividade. Mas a questão é grave aqui, e não vemos isso em outros mercados. Na China, a exclusividade é ilegal. No Oriente Médio, também. Em Hong Kong é legal, mas você só pode fazer até certo ponto. Mas, aqui, é como se metade das redes de restaurantes estivessem bloqueadas " explicou. " Não é um mercado funcional.
A Keeta começou a operar no Brasil em 30 de outubro, iniciando um piloto em Santos e São Vicente, no litoral paulista. Em dezembro, estreou na capital paulista e outras oito cidades.
O iFood assinou um termo de compromisso com o Cade em 2023 para encerrar uma investigação sobre práticas anticoncorrenciais. Com isso, ficou proibido de fechar exclusividade com redes que tenham mais de 30 estabelecimentos. Mas Qiu diz que o iFood continua promovendo esses acordos nos bastidores.
Em nota, o iFood disse que está proibido de assinar contratos com grandes redes, mas que "há exceções que permitem contratos com prazo superior a dois anos" quando faz "investimentos que geram o crescimento para o restaurante cadastrado". E que todas essas regras estão previstas em acordo firmado com o Cade, "que está sendo cumprido em sua totalidade".
O adiamento da Keeta pegou de surpresa a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Paulo Solmucci, presidente da entidade, disse ter ficado decepcionado com a medida, que, na sua visão, pode ser resultado de uma de duas hipóteses: ou as medidas tomadas pelo Cade não estão sendo cumpridas pelos players, ou foram, até agora, insuficientes para preservar o ambiente de concorrência no setor de delivery.
" Espero que o Cade aja com rigor, porque não podemos perder este momento de concorrência no Brasil " disse, ao lembrar que há duas semanas o Cade pediu explicações ao iFood sobre supostas retaliações contra restaurantes que passaram a usar outros apps.
Para Roberto Wajnsztok, sócio-diretor da Gouvêa Consulting, o adiamento da Keeta no Rio não representa um recuo da plataforma chinesa, mas possivelmente um ajuste operacional ou jurídico.
Remuneração mínima
Perguntado sobre o impacto de uma remuneração mínima de R$ 8,50 por entrega " discutida em texto de comissão especial na Câmara dos Deputados " sobre os negócios da Keeta no país, o CEO Tony Qiu disse que é preciso encontrar um equilíbrio entre renda "mais estável" aos entregadores e custo baixo aos consumidores, e reiterou que essa discussão não é o que impede a empresa de expandir sua atuação, já que a lei ainda não foi implementada.
Sobre a questão de até quando a Keeta ficará no país, Qiu, que também é vice-presidente da Meituan, disse que a empresa mantém seu plano de investimento de cinco anos (de 2025 a 2030) e que quer estar aqui a longo prazo:
" Não queremos queimar dinheiro sem dar uma boa experiência aos usuários. Ou queimar dinheiro e ir embora. Queremos garantir que, quando lançarmos, forneçamos boas seleções e boa experiência.