Três navios são atacados; tráfego em ormuz despenca
Três navios comerciais foram atacados e o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, no Golfo ...
Três navios comerciais foram atacados e o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, despencou ontem, nas primeiras consequências dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã. Ao menos três das maiores companhias de navegação do mundo " MSC, Maersk e Hapag-Lloyd ", suspenderam o trânsito de embarcações pelo estreito. A DP World, empresa líder global em logística e gestão portuária, também interrompeu as operações no porto de Jebel Ali, em Dubai.
As empresas de navegação praticamente paralisaram as operações em todo o Oriente Médio. O Estreito de Ormuz é uma importantíssima rota do comércio global, por onde passa um quinto do consumo mundial de petróleo e gás. Seu fechamento é considerado um dos principais efeitos colaterais do novo conflito sobre a economia global " e poderá resultar em encarecimento do frete marítimo, atrasos nas entregas e inflação.
Segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, um navio foi atingido no estreito em frente à costa de Omã. Outra embarcação foi alvo de ataques em frente à costa dos Emirados Árabes Unidos. E um objeto não identificado "explodiu em proximidade muito próxima" de um terceiro navio.
A plataforma de rastreamento de navios MarineTraffic registrou uma queda de 70% no tráfego pelo Estreito de Ormuz, de acordo com Dimitris Ampatzidis, analista sênior de riscos e conformidade da Kpler, empresa-mãe da MarineTraffic. A maioria dos navios fez inversão de rumo, desviou para rotas alternativas ou começou a ficar paralisada no Golfo de Omã.
" A Arábia Saudita, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos e o Catar são os mais expostos, pois a maior parte de suas exportações de petróleo bruto e gás natural liquefeito por via marítima passa por Ormuz " disse Ampatzidis.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico e conecta grandes produtores de petróleo ao mercado internacional. Diariamente, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e grandes volumes de gás natural liquefeito (GNL) atravessam a passagem.
Com a via bloqueada, o esperado, para as próximas semanas, é o encarecimento do frete marítimo e o aumento nos atrasos no transporte, segundo Leandro Barreto, diretor da consultoria Solve Shipping. Além da insegurança, da suspensão de rotas e de adicionais que os armadores passarão a cobrar caso naveguem por lá, se a esperada disparada nas cotações do barril de petróleo for prolongada, o combustível dos navios ficará mais caro, aumentando custos operacionais das companhias. Para completar, o seguro das cargas deverá encarecer. E poderá haver congestionamentos em outros hubs portuários, como Cingapura.
" Tudo isso pode pressionar os fretes e os níveis de serviço dos armadores " resumiu Barreto.
* Com agências internacionais
Leia mais sobre a guerra nas páginas 24 a 27