Novo título do tesouro direto chega como opção à poupança
Expectativas já foram criadas em torno do novo título do Tesouro Nacional, o Tesouro ...
Expectativas já foram criadas em torno do novo título do Tesouro Nacional, o Tesouro Reserva, que deve competir páreo a páreo com a poupança. Com previsão de ser lançado este mês, o novo produto será atrelado à Selic, sem marcação a mercado, e vai operar 24 horas, o que significa que o investidor poderá investir e resgatar o dinheiro a qualquer hora do dia, inclusive aos finais de semana.
Para alguns analistas, o novo produto pode balançar a cultura de guardar a reserva de emergência na poupança, mas a substituição total deve levar um tempo.
Dados do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) mostram que, mesmo rendendo pouco, cerca de trilhões de reais ainda estão na poupança. No geral, o brasileiro tem medo de clicar em investimentos no aplicativo do banco, mas se sente seguro clicando em poupança. Ou seja, para o Tesouro Reserva decretar o fim da poupança, ele precisará ser tão fácil quando o principal concorrente.
" Para uma substituição mais ampla, alguns fatores ainda são importantes como uma experiência cada vez mais integrada aos aplicativos bancários, a percepção de liquidez imediata em qualquer cenário, a educação financeira em escala, e uma eventual revisão de aspectos tributários, que ainda favorecem a poupança " avalia Lucas Girão, economista e especialista em investimentos.
O cenário mais provável é de convivência entre os dois produtos, com o Tesouro ganhando espaço progressivamente. A poupança não deve desaparecer, mas tende a perder relevância como principal instrumento de reserva do brasileiro ao longo dos próximos anos. Pelo menos é para isso que torcem os especialistas.
" O fato de a liquidação ser via Pix e os aportes serem a partir de valores muito baixos (investimento de R$ 1 apenas) elimina oscilações negativas no saldo e dá previsibilidade ao crescimento do investimento, características que o colocam em disputa direta com a poupança e com as chamadas "caixinhas" de bancos e fintechs, que já vinham atraindo muitos recursos de pequenos investidores justamente por serem simples e terem liquidez imediata " avalia Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, para quem o lançamento do título não representa de forma automática o fim da poupança. " Historicamente, a caderneta de poupança surgiu como o principal instrumento de reserva de valor do brasileiro por sua simplicidade, liquidez e isenção de Imposto de Renda, mas com o tempo perdeu atratividade justamente por oferecer rendimentos tipicamente mais baixos que os de outros produtos de renda fixa quando os juros estão altos.
Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, vai além. Para ele, a substituição só vai acontecer se o Brasil caminhar com a educação financeira de forma mais estrutural. "O que precisa evoluir, na minha opinião, é a educação financeira da população e o maior alinhamento de interesse entre bancos e seus clientes. Os maiores promotores de cadernetas de poupança ainda são os grandes bancos".