Sábado, 07 de Marzo de 2026

‘Tem muita empresa menor em que ainda podemos entrar’

BrasilO Globo, Brasil 7 de marzo de 2026

Em 2025, o Wellhub aumentou em 48% sua base de usuários no Brasil. Cerca de 1,1 milhão de pessoas ...

Em 2025, o Wellhub aumentou em 48% sua base de usuários no Brasil. Cerca de 1,1 milhão de pessoas passou a usar o app de bem-estar, que nasceu como Gympass e virou "unicórnio" convencendo RHs a oferecer academia como benefício corporativo. O número de academias plugadas saltou de 30 mil para quase 40 mil no Brasil. Olhando de fora, o ano pareceu um "céu de brigadeiro", portanto. Mas foi especialmente movimentado para o Wellhub.
Já em janeiro, houve uma transição no comando. Ricardo Guerra, que comandava a estratégia global de "engajamento de clientes" a partir de Madri, substituiu Priscila Siqueira como CEO da operação no Brasil. Dois meses depois, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) proibiu o Wellhub de manter contratos de exclusividade com academias, por considerar que a companhia descumpriu acordo assinado em 2022.
A decisão do Cade era desdobramento de processo iniciado em 2020, após queixa da TotalPass. A rival, controlada pela Smart Fit, acusava o Wellhub de abuso de concorrência. A "novela" seguiu até dezembro passado, quando o Cade celebrou novo termo de compromisso com a companhia. O acordo permite que o Wellhub tenha acordo de exclusividade com, no máximo, dez redes de academias. Entre elas estão grandes grupos, como Bodytech, Bluefit e Panobianco.
" O acordo foi muito positivo, saímos bastante alinhados com o órgão. Embora o mercado seja muito fragmentado, as dez redes são importantes para a nossa oferta nas capitais, por exemplo. A expectativa é que, nos próximos meses, a gente esteja com todos os dez grupos com exclusividade " explica Guerra.
Com essa página virada, o Wellhub prevê crescer no mesmo ritmo em 2026, partindo de uma base maior. Do lado das empresas, o foco é expandir a base junto a pequenas e médias, onde sua penetração é menor. (Segundo o CEO, 30% das grandes empresas já usam seus serviços no Brasil.) Pelo lado das academias, com o perímetro de exclusividade delimitado pelo Cade, o plano é "vender" o benefício de seu modelo a um mercado especialmente fragmentado.
E o Wellhub acaba de ganhar mais subsídios para promover seu arranjo, por meio de estudo encomendado à consultoria internacional EY-Parthenon. De acordo com a plataforma, a consultoria teve acesso a seus dados, mas usou metodologia independente para analisá-los.
Segundo a EY-Parthenon, a adesão ao modelo aumentou em mais de 30% a geração de caixa (medida pelo Ebitda, que é o lucro antes de juros e depreciação) nas academias analisadas. Ainda segundo a consultoria, 80% dos alunos que chegam às academias via Wellhub são novos, ampliando a base de receitas sem elevar custos ou canibalizar as matrículas já existentes. A EY-Parthenon também calculou que os repasses do Wellhub às academias acrescentam R$ 6 bilhões ao PIB. (Ao todo, a consultoria sustenta que o Wellhub movimentou R$ 13,2 bilhões no PIB do Brasil em 2025, considerando o impacto econômico agregado tanto sobre usuários como sobre a cadeia de academias e empresas.)
" É esse impacto que permite que as academias parceiras consigam investir em expansão. E estamos criando outras ferramentas para acelerar isso. Temos um fundo de crédito de R$ 100 milhões para financiar os parceiros. Também criamos o Wellhub TV, que viabiliza a geração de receitas publicitárias para as academias por meio de telas " explica Guerra, que não gosta de falar de concorrente, mas dá uma alfinetada velada na TotalPass para ilustrar as diferenças de seu modelo. " Não somos, nem nunca seremos, donos de academias. Acreditamos que nosso modelo é mais benéfico para o sistema porque não concorremos com a saúde do negócio dos parceiros.
Pelo lado das empresas, o estudo da EY-Parthenon diz que usuários ativos são, em média, 15% mais produtivos e faltam menos ao trabalho. A consultoria calcula em R$ 560 por pessoa o incremento anual de produtividade; já a redução de gastos com saúde seria de R$ 120 por pessoa; nos custos previdenciários, a EY-Parthenon calcula impacto positivo de R$ 248 por pessoa ativa.
" O colaborador usa o Wellhub, em média, dez vezes por mês. É bastante, provavelmente mais do que qualquer outro benefício corporativo, atrás apenas do tíquete-refeição. Naturalmente, as grandes companhias saem na frente, mas, quando a gente olha para empresas com menos de 500 funcionários, há muitas onde ainda podemos entrar. Temos capacidade para dobrar ou triplicar nos próximos cinco anos " diz o CEO do Wellhub, que foi avaliado em US$ 2,4 bilhões em 2023.
Por ser um benefício corporativo, o Wellhub também é ajudado pelo desemprego baixo. Mas, ao mesmo tempo, a companhia não consegue acessar o crescente mercado informal. Mesmo assim, a plataforma não planeja voltar a oferecer planos diretamente para o consumidor, o B2C, como fazia no passado.
" Nós trabalhamos com transformação cultural. No B2C, isso não acontece, pois ele atinge indivíduos, não cultura " rebate o CEO, que prefere não opinar diretamente sobre o debate do fim da escala 6 por 1. " A gente defende que, independentemente da jornada, o trabalhador precisa de mais qualidade de vida. A conversa correta é saber como melhoramos as relações (entre empresas e funcionários), não a lei em si.
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