Projetos autorais consolidam nicho valorizado no rio
Em meio à verticalização acelerada das cidades e à produção em escala do setor imobiliário, cresce ...
Em meio à verticalização acelerada das cidades e à produção em escala do setor imobiliário, cresce um movimento diferente: projetos autorais, de tiragem limitada e alto padrão de curadoria " os chamados residenciais-butique. Na Zona Sul do Rio, essa reconfiguração ganha força impulsionada por um público que busca não apenas localização privilegiada, mas também identidade, exclusividade e espaços que carregam conceito e personalidade.
Bairros como Ipanema e Leblon já deixaram de ser apenas sinônimo de ruas valorizadas e se tornaram palcos de projetos cuidadosamente pensados, com poucas unidades, arquitetura diferenciada, acabamentos nobres e amenidades que dialogam com o estilo de vida local. Para incorporadores e investidores, esses empreendimentos representam uma resposta à demanda por imóveis que misturam luxo discreto, projeto autoral e conexão com o entorno, consolidando-se como uma das vertentes mais valorizadas e resilientes do mercado imobiliário carioca.
" Um empreendimento-butique tem nome e sobrenome. Projeto, mobiliário das áreas comuns, revestimentos e portfólio de serviços são autorais, exclusivos e envelopados pelo design. Na área de piscina, por exemplo, pequenos gazebos substituem as espreguiçadeiras, criando espaços mais reservados e reforçando a ideia de exclusividade " explica o arquiteto Celso Rayol, da Cité Arquitetura.
Mas o que determina se um terreno comporta " ou não " um projeto-butique? A resposta passa antes de tudo pela localização. Em muitos casos, é o próprio endereço que orienta a estratégia da incorporadora. Ao conquistar uma área rara na Zona Sul, a construtora já parte do princípio de que se trata de um projeto não apenas de alto padrão, mas de tiragem limitada, com um menor número de unidades e foco na arquitetura diferenciada.
É o caso do Bruma, lançamento da Mozak na Rua Cupertino Durão, no Leblon, a cerca de cem metros da praia. Primeiro projeto residencial da Jacobsen Arquitetura no Rio, o edifício terá apenas oito unidades, uma por andar, com plantas que variam de 269 a 410 metros quadrados. A cobertura duplex terá cinco suítes. Foram seis anos de negociação até a aquisição do terreno.
" O Bruma foi concebido para atender ao cliente que valoriza localização estratégica, poucas unidades e vista para o mar. É um produto direcionado a empresários, executivos, investidores e famílias que priorizam privacidade, segurança e curadoria arquitetônica " afirma o gerente de Novos Negócios da Mozak, Marcus Vinicius Souza.
PROPOSTA COMPACTA
Em Ipanema, a Piimo também aposta nesse movimento com o lançamento do Mare, na Rua Teixeira de Melo, a poucos passos da praia. Assinado pela Bernardes Arquitetura, o projeto reúne 26 unidades, entre gardens, quarto e sala e double suites. É um residencial de alto padrão com proposta mais compacta.
A estratégia mira tanto o morador, que deseja estar mais próximo da praia e privilegia mobilidade a pé e projeto autoral, quanto o investidor, brasileiro ou estrangeiro, que busca um ativo com potencial de renda. Localização singular e arquitetura assinada tendem a pesar positivamente na liquidez e na locação.
Para o diretor-presidente da Piimo, Marcos Saceanu, os empreendimentos-butique respondem de forma direta às transformações do mercado e do comportamento do consumidor.
" Há demanda por produtos autorais, bem localizados e com alto grau de liquidez, especialmente em bairros consolidados como Ipanema. O Rio vive um momento de retomada do turismo e de maior visibilidade internacional, o que fortalece ativos com vocação residencial e de geração de renda.