Viernes, 13 de Marzo de 2026

Deságio nos papéis da raízen já chegou a mais de 80%

BrasilO Globo, Brasil 13 de marzo de 2026

A Raízen, joint venture da Cosan e da Shell, que entrou com um pedido de recuperação ...

A Raízen, joint venture da Cosan e da Shell, que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial na terça-feira para negociar cerca de R$ 65 bilhões com credores, tem 50% de suas dívidas nas mãos de bancos. Já o restante dos credores se refere a investidores institucionais e pessoas físicas, que detêm debêntures e títulos de CRAs (certificados de recebíveis do agronegócio), que não são assegurados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ao contrário da recuperação judicial, os investidores podem vender seus títulos no mercado secundário antes do vencimento. Mas o mercado tem olhado com certo temor para a compra desses papéis da Raízen. A expectativa é que o deságio médio nesse mercado navegue entre 70% e 85%, já tendo sido verificadas operações acima de 80% de deságio, segundo a startup Neot.
"Isso dá uma ideia geral de que a expectativa de quem está apostando nisso, é de uma recuperação mais lenta do que o esperado " disse Júlio Morettti, CEO da Neot.
Levantamento da plataforma de dados e inteligência Vitrify, que considera apenas CRAs e debêntures detidos por investidores institucionais e fundos, indica que há R$ 11,4 bilhões captados e ainda vigentes por meio desses títulos.
extrajudicial em alta
Marcos Camilo, CEO da Pulse Capital, afirma que é possível vender títulos, mas com bom desconto:
" Não é garantido que haverá compradores para os títulos. São operações em mercado secundário, entre investidores. Pode ser feita via balcão de mercado de capitais. Se a empresa recuperar a saúde financeira, o título pode valorizar. Mas se não recuperar, o título pode ser enterrado de vez. Esta é a arte do mercado financeiro.
Os pedidos de recuperação extrajudicial da Raízen e do Grupo Pão de Açúcar refletem a busca cada vez maior por essa alternativa por parte de empresas que ainda têm condições de negociar dívidas com seus principais credores e ainda mantêm fluxo de caixa, mas precisam de um prazo para estruturar esse processo.
No ano passado, 78 empresas recorreram à recuperação extrajudicial para renegociar suas dívidas, um recorde, superando 2024 quando 65 usaram este instrumento, de acordo com Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre). Este ano, já são sete, com valor que ultrapassa os R$ 200 bilhões em dívidas renegociadas.
" A reforma da Lei 11.101 (que regula as recuperações judiciais, extrajudiciais e falências) em 2020 foi o divisor de águas. O instrumento ganhou amplitude e segurança jurídica, passando a abranger uma gama mais ampla de obrigações " explica Brenno Mussolin Nogueira, coordenador de Insolvência e Recuperação de Crédito do Rayes e Fagundes Advogados.
O alto volume de recuperações extrajudiciais no Brasil reflete um cenário de exaustão do fluxo de caixa pelos juros altos persistentes, situação que costuma atingir principalmente setores como o varejo, o agronegócio e imobiliário, explica João Pedro Brígido, sócio do BBL Advogados.
Os especialistas lembram que no caso de renegociação de dívida financeira, os bancos tendem a aderir aos pedidos de recuperação extrajudicial com mais facilidade já que não querem perder dinheiro. Na RJ, o desconto da dívida acaba sendo imposto pelo devedor e depois vai à aprovação em assembleias intermináveis. Por isso, cada vez mais, grandes companhias, como a Raízen e o Grupo Pão de Açúcar, usam esse instrumento.
A recuperação judicial tradicional provou ser um processo "muito duro" para ser usado como primeira opção, diz Rodrigo Gallegos, sócio da consultoria RGF. O especialista diz que ela estigmatiza o "CNPJ da empresa", custa mais caro com a obrigatoriedade de uma supervisão judicial e gera maiores impactos na operação, quando o fornecedor corta o crédito, apertando ainda mais o caixa da empresa.
" A recuperação extrajudicial é uma ferramenta cirúrgica. Ela permite que a empresa isole o problema financeiro (dívidas) sem contaminar o passivo operacional (fornecedores, funcionários).
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