Miércoles, 18 de Marzo de 2026

Grupo 3corações compra kitano e yoki, da general mills

BrasilO Globo, Brasil 18 de marzo de 2026

A americana General Mills anunciou ontem que vai vender suas operações no Brasil para o grupo ...

A americana General Mills anunciou ontem que vai vender suas operações no Brasil para o grupo 3corações. O negócio inclui as marcas Yoki, de farinhas, cereais, milho de pipoca, batata palha e outros, e Kitano, de temperos, além de instalações para a cadeia de suprimentos da empresa. A transação é avaliada em R$ 800 milhões.
O negócio não incluiu a marca de sorvetes Häagen-Dazs, que no Brasil é importada pela General Mills. A empresa tem sede em Minneapolis, nos Estados Unidos, e tem uma longa lista de marcas de alimentos, incluindo comida mexicana, lanchonetes e até comida para animais de estimação. Entre elas Cheerios, Nature Valley, Blue Buffalo, Old El Paso, Pillsbury, Betty Crocker, Totino's, Annie's e Wanchai Ferry. A maior parte não é comercializada no Brasil.
Por aqui, a General Mills tem uma receita anual de US$ 350 milhões, uma pequena fração das vendas líquidas, de US$ 19 bilhões, registradas em 2025 globalmente.
Já a 3corações é mais conhecida pelas suas marcas de café em grão, pó e solúvel, além de chás, bebidas cremosas e máquinas para cápsulas de café. Com a aquisição, o grupo disse que vai investir na diversificação do seu portfólio, com produtos que vão do café da manhã ao jantar, fortalecendo sua posição como uma das principais companhias do setor.
Marcas mantidas
Para Pedro Lima, presidente do grupo 3corações, a transação é parte importante da estratégia da companhia de crescer no segmento de alimentos.
"Estamos entusiasmados com a chegada das marcas amadas pelo consumidor Yoki e Kitano. Este é um passo fundamental em nosso propósito de estar cada vez mais próximos da família brasileira, fazendo-nos presentes em diferentes ocasiões de consumo", disse o executivo, em nota.
O acordo mantém as marcas e tem como objetivo acelerar o crescimento do negócio. A operação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores.
Segundo a General Mills, o negócio deve ser concluído até o fim deste ano. Em comunicado, a companhia americana disse que a venda reforça "a prioridade da General Mills de remodelar seu portfólio para gerar crescimento lucrativo a longo prazo" e aumenta a margem de lucro operacional da empresa.
"Após a conclusão da venda, a General Mills terá entregue quase um terço de seu portfólio por meio de aquisições e alienações desde o ano fiscal de 2018", citou a companhia. A empresa informou que optou por focar em suas marcas globais como estratégia de crescimento.
Além das vendas das marcas Yoki e Kitano, a General Mills também vendeu as unidades de Pouso Alegre, em Minas Gerais, e Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso.
Segundo Antônio César Carvalho de Oliveira, da Acomp Consultoria e Treinamento, a 3corações já conta com uma presença consolidada no mercado de café, mas quer ampliar sua participação em outras categorias de alto volume de consumo, de forma a ganhar mais musculatura nacional.
" Com mais marcas, a companhia consegue ainda aumentar seu poder de negociação com supermercados, atacarejos e lojas de conveniência, com o aumento da grade de produtos a serem oferecidos e comercializados como um todo " disse Oliveira.
Segundo Victor Amorim, especialista em Direito Societário do Caputo, Bastos e Serra Advogados, a aquisição da Yoki e da Kitano pela 3corações é um movimento estratégico relevante para o setor de alimentos. Embora a 3corações já tenha alguma atuação em refrescos, milho e derivados, essa presença é pouco expressiva se comparada à sua posição no segmento de cafés, o que afasta, a princípio, preocupações com concentração horizontal nas categorias em que Yoki e Kitano atuam, avalia.
" A 3corações tem uma rede de distribuição extremamente capilar no varejo brasileiro, e levar Yoki e Kitano por esse canal pode acelerar muito o crescimento dessas marcas.
Para Amorim, num contexto mais amplo, a operação é mais um capítulo de uma tendência global em que grandes multinacionais enxugam portfólios para focar no que é mais rentável, abrindo espaço para que grupos brasileiros assumam marcas consolidadas e as desenvolvam com mais foco e proximidade do consumidor local.
Mais rentabilidade
Ulysses Reis, professor da Fundação Getulio Vargas e da SBS, lembrou que as multinacionais estão em um momento de rever portfólios de olho na busca por rentabilidade. Ele cita o caso da Nestlé, que recentemente anunciou a venda da divisão de sorvetes e também vem buscando compradores para sua divisão de água. O mesmo ocorre com a Unilever, que separou sua unidade de sorvetes, dando origem à Magnum Ice Cream Company. O movimento vai além da área de alimentos. Também no cenário internacional, a Reckitt se desfez de 70% da divisão que reúne marcas como Air Wick e Vanish, de produtos de limpeza:
" Existe uma tendência mundial de mudança na visão de investimentos nas grandes corporações. Esse movimento começou a ganhar força depois da pandemia, por conta de novas estruturas de custos de logística e de energia, que ficaram mais caras. Por isso, o portfólio passou a ser revisto.
Para Reis, a situação tende a ficar ainda mais complexa com as guerras, como a da Rússia e Ucrânia e, mais recentemente, entre Estados Unidos e Irã, com o aumento da cotação do barril do petróleo e o fechamento do Estreito de Ormuz:
" Por isso, as empresas não querem mais dominar categorias por completo, mas, sim, investir em marcas com alta margem de rentabilidade.
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