Jueves, 19 de Marzo de 2026

Brb quer adiar para junho prazo para cobrir rombo

BrasilO Globo, Brasil 19 de marzo de 2026

O Banco de Brasília (BRB) negocia com o Banco Central a prorrogação, para 30 de junho, do prazo ...

O Banco de Brasília (BRB) negocia com o Banco Central a prorrogação, para 30 de junho, do prazo para divulgar o balanço de 2025 " o qual atualmente está previsto para o dia 31 deste mês. Isso porque, na mesma data, seria preciso apresentar um plano para cobrir o rombo causado pelas operações com o Banco Master, mas o BRB enfrenta dificuldades em levantar os recursos necessários.
A negociação ocorre em meio ao cancelamento da Assembleia Geral Extraordinária (AGE), que seria realizada ontem para discutir o aumento de capital da instituição.
Uma ampliação do prazo pelo BC (o chamado waiver, no jargão) seria necessária para evitar uma ação mais drástica na instituição estatal do Distrito Federal. Uma fonte ligada ao banco disse que o regulador "já sinalizou" positivamente, mas o novo prazo ainda estaria em negociação.
O argumento do BRB tem como base uma resolução de 2021, que entrou em vigor em janeiro de 2025. Como alguns bancos, sobretudo menores, tiveram dificuldades para cumprir as novas regras no ano passado, o BC ampliou o prazo para junho de 2025. Usando essa brecha, o BRB quer adiá-lo para junho deste ano.
Essa resolução aperta as regras de provisão a serem adotadas pelos bancos para perdas esperadas, em linha com padrões internacionais.
De acordo com interlocutores envolvidos nas discussões, o alargamento do prazo seria uma forma de evitar uma medida mais drástica por parte da autoridade monetária, como uma intervenção no BRB, por exemplo, diante da situação complexa pela qual passa a instituição, após negócios com suspeita de fraude com o Master, de Daniel Vorcaro.
FGC não está descartado
Segundo apurou O GLOBO, a decisão de cancelar a AGE, anunciada na noite de terça-feira, ocorreu porque, apesar de derrubada, a liminar da Justiça impedindo o uso de imóveis do governo do DF para constituir um fundo imobiliário (que serviria de veículo para o aporte de capital) acabou gerando maior insegurança em potenciais investidores.
Já havia contestações sobre o potencial desse fundo, por conta de polêmicas envolvendo alguns ativos oferecidos pelo governo de Ibaneis Rocha. A disputa judicial, porém, acabou amplificando o ruído. Sem condições de colocar o fundo de pé mais rapidamente, o que já parecia difícil mesmo sem a liminar, a administração do BRB considerou mais adequado cancelar a AGE e buscar outras opções.
Nos próximos dias, será convocada uma nova assembleia de acionistas para deliberar sobre o aumento de capital em até R$ 8,8 bilhões para que o banco possa operar com folga até o fim deste ano. Como há exigência de prazo mínimo entre a convocação e a reunião, a assembleia deverá ocorrer após 31 de março.
Enquanto negocia mais tempo com o BC, a instituição brasiliense continua em busca de soluções para o capital. Nesse contexto, apesar de o fundo imobiliário se manter como alternativa (o BRB planeja um novo road show para tentar recuperar a confiança dos investidores e até atrair novos), ganham força outras possibilidades, como o recurso ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Mas, até o momento, não foi feito um pedido formal à entidade.
Em outra frente, o BRB procura negociar com o governo local a concessão de novos ativos, como a transferência de dividendos de estatais, como a Caesb (distribuidora de água), CEB (geradora de energia) e Terracap (gestão de imóveis).
Fontes do banco afirmam que a situação de liquidez (disponibilidade de recursos para fazer frente aos compromissos) do BRB está adequada e a instituição dispõe de ativos suficientes para evitar uma liquidação, ainda que isso dependa também de se materializar o plano de capitalização apresentado ao BC no mês passado.
Dificuldades aumentam
O problema é que o adiamento da AGE e o vai e vem em torno do plano podem acabar trazendo mais dificuldades para o dia a dia do BRB, forçando-o a vender às pressas carteiras de crédito de boa qualidade, a fim de garantir sua operação e evitar que o BC intervenha.
Uma liquidação ou mesmo um regime de administração especial temporária (uma espécie de intervenção) pelo BC seria um problema muito maior para a economia local do Distrito Federal, onde o banco é muito forte, e pode ter outras repercussões no momento em que o sistema financeiro já vive uma fase complicada por conta do escândalo do Master e sua liquidação, que drenou mais de R$ 50 bilhões do FGC.
Procurado, o BC não se manifestou.
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