Lunes, 23 de Marzo de 2026

Bora, joão! calma, joão!

BrasilO Globo, Brasil 22 de marzo de 2026

Marcelo Barreto

Marcelo Barreto
As duas últimas semanas talvez tenham sido as mais importantes da curta carreira de João Fonseca. O jovem tenista brasileiro enfrentou, pela primeira vez e em dois torneios seguidos, o número dois e o número um do ranking mundial, Jannick Sinner e Carlos Alcaraz. Foi derrotado em ambas as partidas. Não conseguiu vencer um set, mas perdeu todos por placares apertados (6/7 e 6/7 contra Sinner e 4/6 e 4/6 contra Alcaraz). Nos extremos, há duas conclusões a tirar: os otimistas dirão que tem jogo; os pessimistas, especialmente os debochados, que João igualou seu time de coração, o Flamengo, conquistando o bicampeonato do "Troféu de Igual para Igual".
Eu, como costumo fazer e para decepção de muita gente, principalmente nas redes sociais, prefiro o caminho do meio. Posso ser "isentão" ou estar praticando o "doisladismo" (conceito que confesso nunca ter entendido muito bem), mas vejo um pouco de razão em cada polo.
Ganhar 16 games dois dois maiores tenistas do mundo não é pouca coisa. João fez os líderes do ranking usarem todo o seu arsenal para vencer um top 40. E teve uma chance preciosa de ver, do outro lado da quadra, como eles se comportam. Comparando os dois, disse que Sinner é um robô, capaz de repetir todos os golpes com precisão, e que Alcaraz tem uma variedade impressionante de recursos. Esteve bem menos à vontade contra o número um do que contra o número dois, e essa percepção dará lições valiosas a ele e à sua comissão técnica para planejar a evolução.
O lado duro das derrotas foi que nem numa nem noutra João conseguiu aproveitar as poucas oportunidades que teve para causar dano aos adversários. Contra Sinner foi mais dramático, com set points no primeiro tie break que poderiam ter feito o jogo contar uma história completamente diferente. Contra Alcaraz, ele esteve em vantagem em mais de um game para devolver as quebras de serviço. Mas é justamente nos momentos mais desafiadores que os jogadores do topo do ranking mostram por que conseguiram chegar lá.
Não se pode dizer que João se intimidou. Mais à vontade na primeira partida (um pouco pelo estilo de Sinner, outro pelo fato de ter encaixado o primeiro serviço) e menos na segunda (porque Alcaraz acelerava a bola não só quando dominava os pontos, mas também nas devoluções), o brasileiro tentou manter seu estilo, usou a força da direita, não foi conservador, arriscou na angulação das bolas de fundo e nas deixadinhas. O que faltou foi viver pelo menos uma vez a experiência de colocar os bambas em situação de inferioridade.
João Fonseca tem tudo para ser o maior tenista brasileiro desde Gustavo Kuerten, mas com uma trajetória diferente. Para a torcida, Guga explodiu de repente, ganhando Roland Garros " e logo depois precisou lidar com a pressão de ser favorito. Já o "Bora, João!" começou a circular antes mesmo da conquista de um titulo de expressão. Essa expectativa parece ter pesado num começo de temporada marcado também por problemas físicos. Por isso, mais importante do que fazer frente a Sinner e Alcaraz tenha sido vencer adversários como Tommy Paul, mais próximos no ranking mas que ainda não tinham sido superados.
A caminhada para o topo não tem mapa nem garantia de chegada. Para João, o caminho é caminhar.
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