Lunes, 23 de Marzo de 2026

A nova cara do brasil na motogp tem sotaque

BrasilO Globo, Brasil 22 de marzo de 2026

O leve sotaque espanhol durante a entrevista pode gerar confusão. Será Diogo Moreira, uma ...

O leve sotaque espanhol durante a entrevista pode gerar confusão. Será Diogo Moreira, uma das promessas da motovelocidade mundial, um estrangeiro naturalizado? Nada disso. O jovem de 21 anos é brasileiríssimo, paulista de Guarulhos, conhecedor das curvas de Interlagos e do antigo traçado do Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, que receberá hoje a MotoGP, às 15h, no retorno da categoria ao país. Ele largará na 14ª posição (ele terminou em décimo na corrida sprint). A ESPN e a Band transmitem.
A sonoridade distinta do seu português é resultado direto de quem migrou em busca do sucesso. Desde os 13 anos, ele vive na Espanha com a família. Primeiro se aventurou com o pai, Luiz Moreira, ex-piloto amador de motocross, e logo depois a mãe se juntou a eles. Lá, ele pôde se desenvolver entre os melhores. Hoje, os espanhóis dominam a categoria rainha da motovelocidade. No grid, são nove pilotos, entre eles Marc Márquez, da Ducati, atual campeão mundial da MotoGP.
O talento pode ter sido moldado em pistas europeias, mas despertou ainda em solo brasileiro. Após iniciar o motocross aos cinco anos, Diogo trilhou o caminho natural para o asfalto nas competições de base e nacionais com destaque (venceu algumas vezes em Interlagos). Também correu em Goiânia antes das mudanças feitas ano passado para o retorno da categoria ao Brasil após 22 anos.
" Acho que eu tenho um pouquinho mais de vantagem. Eles mudaram bastante, a pista ficou um pouco mais larga, mas estou bem confiante porque sei bastante da pista "disse o brasileiro.
Desde que estreou na motovelocidade mundial, Diogo não parou de empilhar feitos: melhor estreante da Moto3, em 2022, primeira vitória na categoria no ano seguinte; novamente melhor novato do ano agora na Moto2, em 2024; e, no ano passado, se tornou o primeiro piloto brasileiro a conquistar um título internacional da modalidade. Antes mesmo de levantar o troféu, ele assinou três anos de contrato com a LCR Honda no fim de 2025. A estreia na elite foi no GP da Tailândia, onde terminou em 13º lugar.
É com essa responsabilidade de voltar a colocar o nome do Brasil na MotoGP que Diogo chegou ontem ao autódromo " o último brasileiro a competir na categoria foi Alex Barros, que encerrou a carreira em 2007. Vestido com a nova camisa azul da seleção brasileira de futebol estampada com seu nome e o número 11 nas costas (é a numeração da sua moto na categoria), o jovem piloto reverenciou os ídolos. Durante a entrevista, ele apresentou o capacete com a pintura em verde e amarelo e o rosto do tricampeão mundial de Fórmula 1 estampado na parte superior.
"Ele é o meu herói e também do Brasil. Quero seguir o mesmo caminho que ele percorreu, conquistou vários títulos na F1. " disse Diogo, cuja relação com o país atualmente acaba ficando restrita às férias. "Tento voltar no fim do ano para ver minha família, passar o Natal, o Ano Novo. Mas é bem difícil voltar e ficar muito tempo. Tenho que treinar, tenho minha vida lá também.
A partir de agora, o tempo vai ficar ainda mais curto. Diogo percebeu que a diferença entre a Moto2 e a MotoGP não é apenas nas cilindradas e nos ajustes da moto. A categoria de elite exige traquejo para lidar com o extra pista.
" Eu estou tendo que aprender tudo desde o começo. Principalmente entender como é um fim de semana de MotoGP. Tem muito mais coisas para fazer durante o treino e fora da hora de trabalho também "explica.
Faz parte do papel de ídolo que ele pode ser algum dia. Por enquanto, é necessário ter calma diante do grande desafio. Hoje será apenas a sua segunda corrida na MotoGP.
" Acredito que ele vai fazer na MotoGP exatamente o que ele fez nas classes menores: ir de menos para mais. É um campeonato muito difícil, então é muito cedo para sonhar em título ou algo assim. Com a Honda crescendo, acredito que não vai demorar muito para ele entrar na briga por top 10, top 5 e pelo pódio " analisa Juliana Tesser, comentarista de motovelocidade da ESPN.
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