Miércoles, 25 de Marzo de 2026

Mercado interno vira ‘escudo’ contra choques na venda de uva

BrasilO Globo, Brasil 24 de marzo de 2026

Em 2025, as exportações brasileiras de frutas bateram recorde pelo terceiro ano ...

Em 2025, as exportações brasileiras de frutas bateram recorde pelo terceiro ano consecutivo, mas o crescimento das vendas ao exterior não significa que o mercado externo concentra os esforços comerciais da fruticultura nacional. O setor de uvas tem detectado uma expansão da demanda no mercado local e um aumento do número de consumidores dispostos a pagar mais por qualidade e sabor.
No Vale do São Francisco, região que domina a produção nacional de uvas, alguns dos principais produtores têm se voltado cada vez mais ao consumidor brasileiro.
"Nós passamos a olhar mais para o mercado interno. Demos início a um trabalho de desenvolvimento de marca para nos aproximarmos do varejo " diz Aníbal Campos, gerente-geral de comércio exterior da empresa Agrivale, a maior vendedora de uvas do país.
A companhia produz 22 mil toneladas de uvas por ano e tem 14% do segmento. Segundo Campos, o trabalho voltado ao consumidor brasileiro ganhou corpo nos últimos cinco anos para dar mais segurança ao planejamento da empresa. Ao aumentar o peso do consumidor local, a Agrivale não fica tão exposta aos altos e baixos das exportações.
A estratégia, afirma Campos, mostrou-se importante no ano passado, com o tarifaço que os EUA impuseram a uma série de produtos brasileiros, entre eles as frutas. Mas os choques não são apenas tarifários: eventos climáticos e questões geopolíticas podem comprometer os negócios.
Em 2025, o Brasil exportou 1,3 milhão de toneladas de frutas, segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), um aumento de 19,6% frente ao anterior. No caso das uvas, a alta foi de 5,6%, para 62,2 mil toneladas.
A força do mercado interno é um trunfo que os exportadores têm quando o mercado externo não está tão atrativo, diz Campos: se o preço no exterior está pouco remunerador, ou se um país importador decide sobretaxar as frutas brasileiras, o consumidor local ajuda a contrabalançar esses eventuais choques.
Em agosto do ano passado, os EUA passaram a cobrar tarifa adicional de 50% sobre as frutas brasileiras. A sobretaxa inviabilizou os embarques para o mercado americano, o principal destino das exportações da fruticultura nacional.
" Como resultado, ninguém exportou para os Estados Unidos. Naturalmente, todo o volume foi desviado para a Europa, mas como os europeus tiveram uma safra muito boa, os preços caíram bastante " lembra Campos.
Vendas para Europa
Em 2023 e 2024, os preços de comercialização da uva na Europa mantiveram-se acima de € 22 a caixa de cinco quilos, mas, com a safra volumosa, caíram para € 15 em 2025.
A Kuará Frutas, líder na exportação de uvas brasileiras para os EUA, com cinco anos de mercado, comercializa 30 mil toneladas de uvas por ano. O mercado local absorve 70%.
" O mercado interno vem crescendo muito nos últimos anos. Esse é o foco principal da nossa empresa " afirma Daniel Eijsink, diretor presidente da companhia.
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