Jueves, 26 de Marzo de 2026

Vasco estrutura operação para reaver saf e vender 90% a marcos lamacchia

BrasilO Globo, Brasil 26 de marzo de 2026

negócio à vista

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Após quase dois anos do afastamento da 777 Partners, o Vasco dá passos concretos para, enfim, revender sua SAF. As conversas com o empresário Marcos Faria Lamacchia " filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras e da Crefisa " avançaram, e o clube já planeja a estrutura da operação. A ideia é buscar a recompra de 100% das ações do futebol (hoje fatiadas entre Vasco e a seguradora americana A-CAP e com parte sob arbitragem na Justiça) e depois vender 90% delas ao novo investidor. O próprio Lamacchia seria a garantia financeira desta primeira operação.
A estratégia é não envolver Lamacchia em um primeiro momento, para que a operação não fique tão cara. Nesse cenário, o clube compraria as ações que não detém de forma parcelada. No fim da operação, reaveria o dinheiro por meio do investidor.
Desde que a 777 Partners foi afastada do comando do futebol do clube, por meio de liminar na Justiça do Rio, as ações da SAF do Vasco estão divididas da seguinte forma: 30% são do clube associativo, 31% são da A-CAP (seguradora que assumiu os ativos da 777) e 39% estão em disputa entre as partes em processo de arbitragem que vem se arrastando desde 2024. Por decisão judicial, o clube associativo é quem controla o futebol, apesar de possuir porcentagem menor que a A-CAP.
Nos últimos dois anos, desde que assumiu o controle do futebol vascaíno, o presidente Pedrinho foi alvo de frequentes questionamentos sobre uma possível revenda do futebol. Em todas as oportunidades, ressaltava o interesse, mas pregava prudência. Nesse período, capitaneou o processo de recuperação judicial, que alongou prazos de pagamentos e obteve descontos de até 92% em dívidas trabalhistas do clube, que totalizavam mais de R$ 600 milhões antes do início do processo. A reestruturação tornou a SAF do Vasco um ativo mais saudável e previsível no mercado.
Se confirmado como novo investidor, Marcos Lamacchia terá que arcar com o plano de pagamentos, bem como com outras fatias do passivo vascaíno. Além disso, é claro, terá que investir no futebol e em sua estrutura " como no centro de treinamentos, um desejo antigo da diretoria.
O maior desafio para a efetivação do negócio é uma possível interpretação do regulamento do sistema de sustentabilidade financeira instituído recentemente pela CBF.
Em seu artigo 86, a normativa veda que "qualquer pessoa, física ou jurídica, detenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube" e estende o veto a "cônjuge, companheiro(a) ou parentes até o segundo grau (pais, filhos, irmãos)", o que coloca a situação do Vasco numa zona cinzenta. As partes procuraram a ANRESF, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade Financeira, criada pela CBF junto à implementação do fair play financeiro, para garantir que o negócio esteja em conformidade com as novas diretrizes e mantêm confiança em superar questionamentos.
Precedente novo
Head de Sports & Entertainment do escritório Felsberg Advogados, Thiago Nicácio vê o caso do Vasco como possível precedente de definições importantes no conceito de "núcleo familiar" em termos de propriedades de clubes. Ele vê brechas no artigo 86, mas pondera que, na Europa, casos semelhantes já terminaram em veto.
" Se o regulamento quisesse alcançar parentes por afinidade (como enteado), deveria ter dito expressamente, como faz a legislação previdenciária quando equipara o enteado ao filho, e ainda assim exige prova de dependência econômica. A omissão é juridicamente relevante e abre espaço legítimo para questionamento.
Ele analisa ainda que a finitude e a natureza associativa do mandato de Leila no Palmeiras (até dezembro de 2027) "ajudam" o Vasco, mas não resolvem o impasse:
" O ponto é que o regulamento não se limita a controle formal. Ele alcança também a influência significativa, que inclui capacidade de nomear administradores-chave, coordenar decisões ou exercer poder de veto. E, enquanto Leila estiver na presidência do Palmeiras, ela é, por definição, a administradora-chave do clube.
Marcos Lamacchia, de 47 anos, é sócio-fundador e CEO da Blue Star, empresa de consultoria financeira e investimento. Além de filho de José Roberto Lamacchia, fundador e dono da Crefisa, ele é neto, por parte da mãe, Junia Faria, do banqueiro Aloysio de Andrade Faria, herdeiro do Banco Real (ex-Banco da Lavoura de Minas Gerais) e fundador do Conglomerado Alfa, que figurou na lista de bilionários da Forbes e morreu em 2020. Em 1999, quando tinha 21 anos, Marcos tornou-se enteado de Leila Pereira após o casamento da empresária com José Roberto.
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