Caixa recua de negociações para compra de ativos do brb
A direção da Caixa decidiu recuar nas negociações em torno da compra de ativos do Banco de ...
A direção da Caixa decidiu recuar nas negociações em torno da compra de ativos do Banco de Brasília (BRB). Segundo interlocutores do banco federal, não há por ora disposição do Ministério da Fazenda em ajudar a socorrer a instituição controlada pelo governo do Distrito Federal.
A informação foi enviada pela Caixa ao Tribunal de Contas da União (TCU), em resposta a uma representação do Ministério Público junto à Corte sobre possíveis tratativas e desdobramentos relacionados à federalização do BRB. Segundo técnicos do TCU, a Caixa informou que não recebeu proposta do BRB sob a ótica societária ou de federalização do banco regional.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou ontem que a direção do BRB tem se empenhado para encontrar uma solução para cobrir o rombo deixado pelas transações com o Banco Master.
Acionista controlador
Galípolo ressaltou que as medidas envolvem uma saída a ser apresentada pelo acionista controlador da instituição, ou seja, o governo do Distrito Federal:
" Eu tenho assistido o empenho da gestão atual do BRB para tentar equacionar a questão e achar uma solução, que é uma questão que está menos na mão da gestão efetivamente do BRB. Porque é uma questão hoje de patrimônio e não de liquidez, que o banco tem que solucionar. E, sendo uma questão de patrimônio, envolve uma solução fornecida pelo acionista do banco.
No documento enviado ao TCU, a Caixa confirmou que, em 28 de novembro de 2025, recebeu proposta do BRB para realizar cessão de carteiras de crédito. Disse ainda que os dois bancos iniciaram as conversas e um processo de due diligence. Contudo, a Caixa decidiu por não dar seguimento ao processo.
A direção da Caixa avalia que a BRB Financeira, subsidiária do banco voltada para consignados, é um bom ativo. O presidente da Caixa, Carlos Vieira, já presidiu a BRB Financeira e, portanto, conhece a governança da empresa. Porém, as conversas não avançaram.
Segundo interlocutores da Caixa, a mudança de postura se deve à complexidade da situação do BRB e ao fato de as investigações envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Master, ainda estarem em andamento.
Além disso, a questão política impede um esforço do governo federal em ajudar o governador. Filiado ao MDB, ele está enfraquecido e não conta mais com o apoio do PL, partido de Flávio Bolsonaro, adversário de Lula na corrida ao Palácio do Planalto.
A nova direção do BRB corre contra o tempo para levantar R$ 6,6 bilhões em prejuízos decorrentes de negócios com o Master. O prazo para a divulgação do balanço de 2025 termina na próxima terça-feira.
Integrantes da diretoria da Caixa afirmam, contudo, que o banco ainda não perdeu totalmente o interesse no BRB, desde que a operação seja vantajosa para a instituição.
Procurada, a Caixa informou em nota que mantém boa relação com o TCU e negou interesse em participar de um eventual processo de federalização do BRB: "A Caixa informa que possui uma relação de colaboração permanente com o TCU e respondeu ao órgão, em 17 de março, informando que não tem interesse ou possui qualquer estudo sobre a federalização do BRB".