Sábado, 28 de Marzo de 2026

‘Unicórnio’ mira um ‘ponto cego’ do financiamento de carro

BrasilO Globo, Brasil 28 de marzo de 2026

A Creditas, "unicórnio" brasileiro especializado em crédito fundado por Sergio Furio, quer ...

A Creditas, "unicórnio" brasileiro especializado em crédito fundado por Sergio Furio, quer aumentar sua presença no financiamento de veículos mirando segmentos pouco visados pelos bancões que dominam esse mercado. A plataforma está olhando para um nicho que classifica de "intermediário". São clientes sem conta nas instituições que lideram esse tipo de crédito, como Santander e Bradesco, mas que têm renda para financiar um carro usado. Em paralelo, a fintech mira outro ponto cego: transações entre pessoas físicas, nas quais o acesso ao financiamento ainda enfrenta obstáculos.
A estratégia tenta surfar um mercado que, a despeito dos juros altos, está em expansão. O número de veículos financiados, entre novos e usados, bateu recorde no ano passado, com 7,32 milhões de unidades, segundo a B3. O dado abrange carros, motos e veículos pesados. Embora o crescimento tenha sido de apenas 2% em 2025, o mercado acumula expansão de 35% desde 2022. Os usados respondem por quase dois terços do total. Já o saldo do crédito para pessoas físicas cresceu 16% em 2025, para praticamente R$ 400 bilhões. É claro que a explosão dos preços dos carros ajudou a inflar a cifra.
Fundada em 2012, a Creditas começou a financiar veículos pouco antes da pandemia, mas o foco ganhou tração no último ano. Em meados do ano passado, ela captou R$ 800 milhões para um fundo de direitos creditórios (Fidc) voltado a operações de veículos. (Além do financiamento direto, a plataforma oferece simulações em Itaú, Santander, Bradesco e Porto Bank, conectando os clientes a essas instituições.)
Carro não é exatamente uma novidade para a fintech, que tem como um de seus produtos, há anos, um empréstimo pessoal que usa o veículo do cliente como garantia. A Creditas também é corretora on-line de seguro auto. Mas o projeto mais ambicioso no segmento, até então, foi descontinuado em 2023: durante três anos, a companhia teve um negócio de recondicionamento e venda direta de carros usados.
Para dar novo fôlego ao financiamento de veículos, a estratégia tem sido focar na cauda longa de lojas de carros pequenas e médias das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. O plano veio da constatação de que essas lojas têm "gordura para queimar" se tiverem acesso a uma plataforma mais azeitada. A loja média vende até dez carros por mês, e metade delas faz no máximo quatro financiamentos nesse período, justifica Carlos Domingues, responsável pela área que a Creditas chama de AutoFin (financiamento de veículos). Hoje, a Creditas está conectada a 3,1 mil lojas.
" Entramos muito rápido e não tínhamos todos os componentes bem estruturados. Vimos uma dor importante, que era a qualidade da plataforma que a gente oferecia para as lojas. O vendedor quer preço e agilidade, mas a gente tinha muita fricção. Decidimos trabalhar para melhorar essa jornada, e a receptividade foi melhor do que a gente esperava " explica Fábio Zveibil, vice-presidente do Ecossistema Auto na Creditas. " Reduzimos o número de lojas, eliminando as que não estavam muito engajadas com a gente, e demos novos pacotes de incentivos comerciais.
Embora a base ainda seja pequena, a Creditas diz que sua concessão de crédito para compra de carro dobrou (107%) em 2025, ainda que não abra os números absolutos. Sua participação na carteira dos lojistas parceiros cresceu seis vezes, diz a fintech.
" O mercado sempre trabalhou olhando para as duas pontas: de um lado, o cliente de alta renda ou correntista com histórico conhecido de crédito; de outro, o cliente subprime, negativado. A gente não consegue competir com os bancos emprestando para seu próprio correntista, mas vimos que havia oportunidade para um consumidor que precisa de mais entrada ou que não tem tanto histórico de crédito " diz Domingues.
Já o produto de crédito a quem está comprando um carro de outra pessoa física foi lançado há um ano e meio. De acordo com Zveibil, o objetivo é atrair clientes que não querem enfrentar a burocracia de buscar um financiamento no banco sem o suporte de uma loja.
" Nosso desafio é que o produto ainda é muito pouco conhecido, embora haja grande volume de pessoas que compram carros fora da loja, sobretudo fora das capitais. Mais de metade das nossas transações nessa modalidade ocorre em cidades do interior " conclui o executivo.
Em 2022, a Creditas levantou US$ 260 milhões em uma rodada de investimentos e foi avaliada em US$ 4,8 bilhões.
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