Vasco tem obstáculos para efetivar venda da saf
A notícia de que o Vasco encaminhou a venda da SAF do clube ao empresário Marcos Lamacchia, ...
A notícia de que o Vasco encaminhou a venda da SAF do clube ao empresário Marcos Lamacchia, sócio-fundador e CEO da Blue Star e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras e da Crefisa, pode ter animado o torcedor vascaíno. Mas o clube ainda tem um caminho a percorrer até a concretização do negócio, e pode ter algumas pedras no trajeto. A principal delas é a A-CAP, credora da 777 Partners e que se tornou dona de 31% das ações da SAF do clube, e a própria empresa de Josh Wander, ex-controladora do futebol vascaíno.
Apesar de ter o desejo de adquirir a parte que cabe à A-CAP, o Vasco trata este assunto como uma "próxima etapa" no processo. Neste momento, o clube está focando nas conversas com Lamacchia " as partes tratam sobre cláusulas importantes e valores pela comercialização de 90% das ações. Ainda assim, uma tratativa depende da outra. A ideia da diretoria é ter ao menos um compromisso assinado com o empresário para, então, tentar efetivar a compra dos 31% que ficaram com a A-CAP pelos aportes feitos na SAF. Além disso, na mesma negociação, o Vasco espera chegar a um acordo para encerrar a arbitragem na FGV, que definiria o destino destes 31% e os demais 39% que ficaram com o Vasco por liminar da Justiça " os outros 30% são do clube associativo, que havia acertado a venda de 70% para a empresa americana.
Por mais que esteja otimista por um final feliz, o Vasco sabe que negociação com a A-CAP não deve ser fácil. Por conversas anteriores, a diretoria do clube acredita que seguradora mantém o desejo de recuperar o investimento feito nos empréstimos para a 777 Partners e não tem interesse na gestão de um clube de futebol. No entanto, na sua última manifestação no processo, a empresa que comandou o futebol vascaíno entre 2022 e maio de 2024 seguia tentando se manter no negócio ou, ao menos, recuperar o dinheiro investido " com correções. E isso pode arrastar ainda mais as negociações entre as partes, forçando a resolução na arbitragem.
A escolha pela arbitragem tem algumas razões, como explicou Felipe Glioche, advogado especializado em resolução de disputas pela Pepperdine University.
" É uma escolha estratégica, visando a benefícios como confidencialidade e celeridade, especialmente considerando a natureza sensível do contrato, a duração média do procedimento e a ausência de duplo grau de jurisdição (isto é, não há recurso) " disse Glioche.
Notificação de 2025
Uma vez formado e assinado o Termo de Arbitragem, a competência para julgar o tema será exclusivamente dele, tendo liberdade para decidir no mesmo sentido ou de forma contrária à decisão liminar proferida. Os prazos do procedimento são definidos pelas partes no início do procedimento. Em notificação judicial enviada ao cruz-maltino em fevereiro de 2025, a empresa norte-americana reforçou o caráter exclusivo da arbitragem como instrumento de resolução, manifestando sua vontade de manter o estipulado em contrato.
" É um procedimento que representa um risco à vontade do clube de realizar a venda da SAF, dado que o controle, retomado pelo associativo inicialmente pela via judicial, ainda é questionado pela 777 " finalizou Glioche.