Domingo, 29 de Marzo de 2026

Um ministro singular

BrasilO Globo, Brasil 29 de marzo de 2026

Gustavo franco

Gustavo franco
Acho que Fernando Haddad não vai desaparecer da vida política, tampouco suas pautas, talvez pelo contrário. Por isso vale mais uma reflexão sobre sua passagem pelo Ministério da Fazenda, em cinco capítulos:
1. É um enorme desafio ser ministro da Fazenda de um presidente que não trabalha com esse conceito, e que tinha mesmo dividido por seis o Ministério da Economia que herdou de seu antecessor. Só um dos seis novos ministros era economista: Esther Dweck, da Gestão. Fazenda, Planejamento, Indústria e Comércio, Trabalho e Previdência são chefiados por políticos.
Não é simples ser o titular de um ministério que o presidente não quer que exista; exige muita habilidade, inclusive para manter os economistas do PT no exílio da Avenida Chile.
2. Não foi Haddad quem acabou com o teto de gastos, nem ele estava na conversa sobre a PEC da Transição. Mas lhe coube definir o que viria em substituição: o mecanismo conhecido como "o arcabouço". Não foi um sucesso, longe disso, mas é difícil deixar de reconhecer que poderia ter sido muito pior.
3. Haddad apostou pesado na Reforma Tributária dos impostos de consumo, mesmo sem saber bem o tamanho da coisa. Foi um gasto enorme de energia política ainda sem sua recompensa. A despeito de muitas profecias de que seria um "outro Plano Real", até agora não foi nada disso, e a transição está assustando muita gente. Vai ficar pior antes de melhorar, talvez.
4. Nenhum dos 21 ministros da Fazenda que o antecederam, desde 1988, abraçou tão explicitamente a tese de aumentar os impostos, a despeito de a maioria ter se comprometido com o equilíbrio das contas públicas. Haddad tentou casar as duas coisas, ao propor que o nosso problema fiscal podia ser resolvido de um jeito "progressivo", ou seja, pela tributação dos super-ricos ou dos que não pagam.
O discurso teve alguma ressonância, mas pouco efeito prático: a dívida pública chegou a 80% do PIB. O ministro ganhou admiradores, mas também uma vasta coleção de memes e o apelide "Taxad". Tudo considerado, o ministro fracassou em resolver o problema fiscal pela esquerda (com impostos), e pior, conseguiu carimbar como "de direita" a pauta do corte de gasto, um retrocesso indiscutível.
5. Haddad ajudou a assentar o novo Banco Central: a arenga de Lula com a instituição terminou com Gabriel Galípolo, inclusive com juros maiores. A introdução das "metas contínuas" serviu para deixar muito claro que nada mudou. Desmontar bombas faz parte.
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