Sábado, 04 de Abril de 2026

Petrobras reafirma a sua política de preços

BrasilO Globo, Brasil 4 de abril de 2026

A Petrobras reafirmou sua política de preços de combustíveis em um comunicado entregue à Comissão ...

A Petrobras reafirmou sua política de preços de combustíveis em um comunicado entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM, o órgão regulador do mercado) na noite de quinta-feira. De acordo com o documento, a petroleira vem seguindo essa estratégia comercial "mesmo em um cenário de forte elevação das cotações internacionais dos derivados de petróleo, intensificado por tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio".
A atual política de preços de combustíveis da Petrobras, apresentada formalmente em maio de 2023, foi uma das bandeiras de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. Nos discursos, o então candidato do PT falava em "abrasileirar" os preços da Petrobras.
"Os reajustes de preços continuam sendo feitos sem periodicidade definida, evitando o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio, conforme prática usual da Petrobras, que considera as suas melhores condições de refino e logística. Quando necessários, os reajustes são realizados com base em análises técnicas e em linha com a governança da companhia", afirma o comunicado.
Dias depois do início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, a Petrobras já havia anunciado que manteria a política de preços, conforme declarações da presidente da estatal, Magda Chambriard.
O comunicado da noite de quinta-feira foi uma resposta à CVM. O órgão regulador questionou a companhia sobre a publicação de uma reportagem, no site Brazil Journal, sobre a defasagem entre os preços dos combustíveis cobrados pela Petrobras nas refinarias e aqueles praticados no mercado internacional, que poderia resultar em prejuízos para a empresa.
Diante da política de segurar o "repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais", sempre que o barril de petróleo dispara, essa defasagem aumenta, ou seja, a tabela das refinarias da estatal fica mais barata do que o cobrado lá fora. Em tese, a empresa perde com a defasagem, daí por que a CVM questionou se a diretoria não deveria ter informado acionistas e investidores em geral sobre o cenário.
Além de reafirmar a política de preços, o comunicado da Petrobras diz não "reconhecer" as estimativas de defasagem corriqueiramente calculadas e divulgadas por empresas do setor e analistas de mercado.
Há uma semana, a Abicom, associação que reúne os importadores de combustíveis, estimou a defasagem entre os preços da Petrobras e os do exterior em 73% para o diesel e em 53% para a gasolina.
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