Miércoles, 08 de Abril de 2026

Luz pesa cada vez mais no bolso do brasileiro

BrasilO Globo, Brasil 6 de abril de 2026

Assim como as dívidas, embora em uma dinâmica distinta, a energia elétrica vem ...

Assim como as dívidas, embora em uma dinâmica distinta, a energia elétrica vem comprometendo uma parcela maior da renda do brasileiro nos últimos anos, tanto pelo aumento direto das tarifas de um serviço básico quanto pelo impacto indireto nos preços de produtos e serviços.
De acordo com um relatório da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace Energia), entre 2000 e 2024, a tarifa residencial acumulou uma variação de 401,4%, superando a inflação do período, de cerca de 340%, e ampliando o peso da conta de luz nas despesas domésticas.
Neste ano, a previsão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é de uma alta de 8%, acima da inflação projetada de cerca de 4,1%. Por isso, o governo avalia um empréstimo a distribuidoras para adiar a alta. Para especialistas, esse tipo de medida dá alívio de curto prazo, mas tende a gerar reajustes ainda mais pesados para o consumidor adiante, como ocorreu no passado.
Impacto disseminado
A conta de luz virou um dos itens prioritários do planejamento financeiro de Thainara Martins, de 26 anos, que divide um apartamento com uma amiga na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Elas pagam entre R$ 510 e R$ 550 por mês de energia, o que já consideram alto para duas pessoas. Por isso temem as previsões de aumento para este ano. Nos últimos meses, têm a sensação de que sempre a conta vem um pouco mais alta:
" É um valor que muitas vezes vem acima do que eu consigo me planejar, e isso acaba comprometendo outras áreas do orçamento " queixa-se.
A sensação de que a tarifa está pesando mais no bolso tem sido combatida pelo governo com subsídios aos mais pobres, que acabam pagos pelos demais consumidores, assim como outros incentivos setoriais embutidos na conta de luz, agravando um mal estar crescente em relação ao custo da eletricidade, inclusive na classe média.
" Não é só a energia que ficou mais cara, na verdade ela compromete hoje uma parte maior da renda. Ela fica mais cara, a renda não sobe na mesma proporção, e isso acaba gerando esse comprometimento maior " afirma a economista Juliana Inhasz, do Insper.
Segundo o estudo da Abrace, o impacto é ainda maior se for considerado que a energia em alta também eleva os custos de produção da indústria e de serviços, do entretenimento ao transporte, espalhando-se pela economia e pelo dia a dia das famílias. Segundo a entidade, o consumo indireto de energia do brasileiro via serviços e produtos chega a ser quase o dobro da energia utilizada diretamente nas residências, o que amplia o impacto das tarifas sobre o custo de vida.
Na avaliação de Rafael Martins de Souza, pesquisador do FGV CERI, medidas como o adiamento de reajustes e a criação de linhas de crédito para distribuidoras não resolvem o problema estrutural:
" Apenas adiam o impacto dos aumentos aos consumidores, que no futuro, além de terem que pagar pelos custos maiores da energia em si, serão obrigados a arcar também com os custos financeiros pelo adiamento dos reajustes.
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