Lunes, 13 de Abril de 2026

Benefícios compensam levar seus investimentos para a concorrência?

BrasilO Globo, Brasil 13 de abril de 2026

Este ano ficou mais fácil fazer a portabilidade de investimentos: é possível transferir as ...

Este ano ficou mais fácil fazer a portabilidade de investimentos: é possível transferir as aplicações financeiras de uma instituição a outra sem ter de resgatá-las. Com isso, bancos e corretoras têm oferecido vários benefícios, na ânsia de fisgar novos clientes. Mas mantenha em mente a velha máxima: desconfie quando a esmola for demais.
Ao realizar a portabilidade, investidores mantêm a mesma data da aplicação, prazo, retorno contratado, titularidade e tributação. A maioria das aplicações pode ser transferida, como ações, Certificados de Depósito Bancário (CDBs), fundos que replicam índices e são vendidos em Bolsa (ETFs), fundos imobiliários e títulos públicos. Alguns ficam de fora, por limitações na sua estrutura, como Certificados de Operações Estruturadas (COEs), derivativos e boa parte dos fundos de investimento.
É possível migrar parte ou todas as aplicações em até dois dias úteis. Não há custo extra nem incidência de imposto, já que não ocorre a venda das aplicações. O processo é seguro, segundo especialistas. As aplicações continuam registradas na B3, no CPF do investidor. A alteração afeta apenas o banco ou a corretora.
A resolução 210 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que permitiu essa transferência, entrou em vigor em janeiro. Agora, o investidor pode começar a fazer a migração pelo aplicativo ou site da instituição para a qual deseja transferir os recursos, o que torna o processo menos burocrático e mais rápido. Outra alternativa é pedir a portabilidade pelo site da B3, na Área do Investidor.
Antes, o pedido era feito na instituição onde estavam os recursos inicialmente. Como ocorreu quando surgiu a portabilidade para as empresas de telefonia, muitas plataformas tentavam ao máximo dissuadir o investidor, dificultando o processo.
O novo cenário acirrou a competição. Bancos e corretoras passaram a oferecer cartões de crédito, cashback, investback (investimento de volta), milhas e salas VIP em aeroportos. Até os consultores independentes de investimentos têm sido abordados para estimular os clientes a transferir os recursos. É comum os incentivos serem voltados a produtos específicos, como fundos de previdência privada ou aplicações que sofreram saques.
Esses benefícios, porém, costumam exigir um prazo de permanência mínimo dos investimentos na instituição e diversas condições.
Caio Zylbersztajn, sócio da casa de análises independente Nord Investimentos, diz ver a portabilidade "com excelentes olhos". Ele, no entanto, aconselha o investidor a não ficar pulando de galho em galho, dispersando o patrimônio:
" Cuidado com o cabo de guerra entre as instituições. É muito comum os clientes ficarem perdidos com os recursos em plataformas demais, e isso piorar o crescimento do dinheiro no longo prazo.
Atenção à qualidade
Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembra que esse cabo de guerra pelos recursos dos brasileiros não é de hoje. Começou há cerca de 20 anos, com a migração de bancos para plataformas de investimentos. Depois, os bancos começaram a lançar as suas próprias plataformas, os "supermercados de investimentos", para competir com as corretoras.
O dinheiro das pessoas acabou sendo pulverizado entre várias instituições. Agora, a disputa não é para ser a única "dona" do cliente, mas a principal.
" Nossos pais e avós eram correntistas de um único banco. Depois, passamos a ter conta na instituição A, B e C. Agora, todos querem ser a principal plataforma do cliente e estão fazendo um movimento para as pessoas trazerem os seus investimentos " diz Yoshinaga.
Ela indica analisar não apenas os benefícios oferecidos, mas os indicadores da qualidade do serviço, como a assessoria para escolher os investimentos, a segurança e a tecnologia da plataforma:
" As campanhas são superatrativas, mas é importante ler as letras pequenas e focar nas regras de tempo de permanência mínimo. Ficar amarrado em uma instituição por muito tempo pode ser ruim depois. Não vá por impulso.
O Centro de Estudos em Finanças da FGV fez um estudo sobre as melhores plataformas para investir. O levantamento mediu a qualidade do atendimento com base em critérios como aconselhamento claro, facilidade na solução de problemas e de uso, e organização das ferramentas. Ágora, Rico e BTG Pactual, nessa ordem, foram eleitas as melhores plataformas para investir. Entre os bancos, foram Itaú, Bradesco e Banco do Brasil (veja infográfico acima).
Na avaliação de Carlos Castro, presidente da plataforma de planejamento financeiro SuperRico, a portabilidade ajuda os investidores a mudarem de plataforma quando não se sentirem bem atendidos. Ele observa, porém, que os produtos de corretoras e bancos são hoje muito parecidos, e a diferença está na qualidade do serviço:
" Produto hoje em dia é commodity. O importante é o relacionamento que o investidor desenvolve com o consultor ou assessor.
E o ‘open finance’?
Castro recomenda pedir indicação para os amigos e familiares, como se faz quando se busca um médico. Ele sugere ainda investir uma parte pequena dos recursos para experimentar a instituição antes de fazer a portabilidade.
Bancos e corretoras também têm oferecido benefícios a quem adere ao open finance " o compartilhamento de dados financeiros entre instituições. Quem deixa a plataforma ver todos os seus investimentos em diferentes bancos e corretoras ganha incentivos, como um cartão de crédito melhor, por exemplo.
Para Luciana Seabra, sócia e chefe da casa de análises independente Indê Investimentos, esse tipo de oferta é problemático:
" A ideia de que o gerente ou assessor de investimentos vai entender melhor a pessoa com o open finance e deve favorecer o investidor pressupõe que o profissional é independente, mas ele não é. É como se um vendedor de loja pedisse para ver o seu armário para oferecer roupas melhores. É claro que ele quer que você use as roupas da marca para ele ganhar mais.
Por isso, ela recomenda a seus clientes não mostrar todos os investimentos apenas para obter algum benefício:
" É melhor o investidor decidir fazer a portabilidade dos investimentos que deseja do que abrir completamente os seus dados.
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